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prazer

Gosto das raras vezes em que acordo totalmente desperto, gosto de dias quentes de verão passados na praia sem misérias para contar, do cheiro das coisas e das recordações que cada cheiro produz em mim, de perfumes, apesar de detestar a forma que eles tomam em contacto com a minha pele, de pedalar pelas estranhas ruas da minha cidade até não poder mais com as pernas, das músicas que me deixam triste, feliz, deprimido, extasiado, irritadiço ou afortunado, gosto de tocar, mal, guitarra, gosto de aspirar a tocar piano e a ter um bar com sofás, mantas, um microfone e sem uma nuvem de fumo a estragar a pintura, gosto de conduzir sem destino, de criar relações únicas com cada livro que leio, de chocolate, de bolachas, de chocolate outra vez, de coçar onde faz comichão. Gosto de chá, de café, de vinho e de água. Gosto de aprender sem ser obrigado, culturas, línguas, ideias, gosto de diferenças. Gosto de coisas bonitas, de pessoas bonitas e de estados de espírito bonitos. Gosto de figuras descomprometidas com a vida, de discussões, de conversas sem sentido e de risos inesperados, de me sentir confortável, de observar, não tanto de ser observado. Gosto de escrever, apesar da falta de jeito para tal, não tanto pelo acto da escrita em si mas pelo que advém dela uns tempos depois, quando voltamos atrás no tempo para ler o que ficou feito ou pensado. Gosto do antigamente, das pessoas que já não existem, dos livros com cheiro secular, das fotografias do que era, da história daquilo que passou e não volta a acontecer, das árvores que são mais antigas que a história. E, geralmente, gosto do fim.

"Mas a operação de escrever implica a de ler como seu correlativo dialético, e estes dois actos conexos precisam de dois agentes distintos. É o esforço conjugado do autor e do leitor que fará surgir o objecto concreto e imaginário que é a obra do espírito."

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Hábitos Breves

"Gosto dos hábitos que não duram; são de um valor inapreciável se quisermos aprender a conhecer muitas coisas, muitos estados, sondar toda a suavidade, aprofundar a amargura. Tenho uma natureza que é feita de breves hábitos, mesmo nas necessidades de saúde física, e, de uma maneira geral, tão longe quanto posso ver nela, de alto a baixo dos seus apetites. Imagino sempre comigo que esta ou aquela coisa se vai satisfazer duradouramente - porque o próprio hábito breve acredita na eternidade, nesta fé da paixão; imagino que sou invejável por ter descoberto tal objecto: devoro-o de manhã à noite, e ele espalha em mim uma satisfação, cujas delícias me penetram até à medula dos ossos, não posso desejar mais nada sem comparar, desprezar ou odiar. E depois um belo dia, aí está: o hábito acabou o seu tempo; o objecto querido deixa-me então, não sob o efeito do meu fastio, mas em paz, saciado de mim e eu dele, como se ambos nos devêssemos gratidão e estendemo-nos a mão para nos despedirmos. E já um novo me aguarda, mas aguarda no limiar da minha porta com a minha fé - a indestrutível louca... e sábia! - em que este novo objecto será o bom, o verdadeiro, o último... Assim acontece com tudo, alimentos, pensamentos, pessoas, cidades, poemas, músicas, doutrinas, ordens do dia, maneiras de viver." Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'