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ponto final, parágrafo

Deste o último gole no morno chá de anis que te acompanhou durante o fim de tarde, refastelaste-te no sofá sentindo todo o teu corpo a relaxar suavemente, fechaste bem os teus olhos, cansados de ver, e repousaste. Ao fim de vários meses de incertezas e sentimentos menos seguros, voltaste finalmente ao teu bem-estar natural, sem entender ao certo porque é que ele te deixou sozinho durante tanto tempo.

Bem sei que criamos as nossas próprias depressões, mas também convém reconhecer que, uma vez dentro de uma, é incrivelmente difícil dela sair. Andei desnorteado durante meses a fio, com sérias dúvidas sobre o meu valor e, agora, olhando para trás, posso apenas concluir que sou uma pessoa bastante só. Não o gosto de ser, é certo, o habitat natural das pessoas é onde quer que possam estar rodeado de pessoas que lhe são queridas, mas também não é errado dizer que se o sou porque assim fiz por acontecer. Consigo aliás imaginar muito boa gente que ao ler estas linhas não irá conseguir deter um leve esgaçar de um sorriso imperfeito, prémio por uma gloriosa e talvez até merecida desforra.

Sou uma pessoa expansiva, que gosta de falar sem pensar e, infelizmente, isso revela-se catastrófico vezes sem conta, levando a que uma ideia menos bem conseguida dê origem a mal estar por parte de quem me ouve. Isso, além daquele eterno sentimento de idiotice relativa, levou-me a que me quisesse afastar de tudo. Depois, veio a incerteza relativamente àquilo que queria realmente fazer, o que, com tão poucas pessoas em quem me apoiar, foi desastroso. No entanto, se não queremos morrer mais vale mesmo lutar por sermos melhores. Agrada-me compreender que nunca desisti, e que continuei sempre a acreditar que podia ser melhor. Apesar de não o ser (melhor do que era), voltei a estar de olho arregalado, sorriso na cara, língua aguçada e palato afinado. É provável que o estado de espírito seja passageiro, que seja potenciado pelas perspectivas dos seis meses que vou estudar em Nuremberga, do estágio curricular que vou fazer sabe-se lá onde e pela probabilidade de trabalhar por esse mundo fora, com tão pouco aqui que me prenda verdadeiramente. Posso também estar deveras feliz pela notícia que ontem me trouxe uma ou duas lágrimas aos olhos, juntamente com um sorriso do tamanho do mundo. E apesar de, por agora, não poder escrever aqui do que se trata, bastar-me-á dizer que foi a melhor notícia que me lembro de ter recebido.

Decidi assim não desistir de um curso que me vai dar oportunidades de trabalho que só estudantes em áreas ligadas às tecnologias podem obter, nem pôr de lado uma vida que mesmo com todas as contrariedades que pode vir a ter, é a única que vou ter a oportunidade de fruir. Se me perguntarem hoje o que é que quero fazer de mim, não terei muitas dificuldades em responder. Não quero criar raízes, nem agradar a ninguém. Não sonho em construir uma carreira, família e legado, nem aspiro com riqueza e luxúria. Quero aprender o máximo que puder, de tudo o que puder. Quero conhecer pessoas novas, explorar os lugares mais estranhos deste planeta, comer as comidas mais intragáveis e delirantes. Quero ler muito, fotografar muito, beber muito, rir muito e saber que ainda sou importante para algumas pessoas.

A essas pessoas, aquelas que não desistiram nunca de me chatear, de partilhar comigo os desvarios mais insólitos, nervosos e repentinos, aqueles que me ajudaram a sonhar um bocadinho:

na minha solidão, gosto de vocês.

escrito por Pedro a 19 março 2007 //

Hábitos Breves

"Gosto dos hábitos que não duram; são de um valor inapreciável se quisermos aprender a conhecer muitas coisas, muitos estados, sondar toda a suavidade, aprofundar a amargura. Tenho uma natureza que é feita de breves hábitos, mesmo nas necessidades de saúde física, e, de uma maneira geral, tão longe quanto posso ver nela, de alto a baixo dos seus apetites. Imagino sempre comigo que esta ou aquela coisa se vai satisfazer duradouramente - porque o próprio hábito breve acredita na eternidade, nesta fé da paixão; imagino que sou invejável por ter descoberto tal objecto: devoro-o de manhã à noite, e ele espalha em mim uma satisfação, cujas delícias me penetram até à medula dos ossos, não posso desejar mais nada sem comparar, desprezar ou odiar. E depois um belo dia, aí está: o hábito acabou o seu tempo; o objecto querido deixa-me então, não sob o efeito do meu fastio, mas em paz, saciado de mim e eu dele, como se ambos nos devêssemos gratidão e estendemo-nos a mão para nos despedirmos. E já um novo me aguarda, mas aguarda no limiar da minha porta com a minha fé - a indestrutível louca... e sábia! - em que este novo objecto será o bom, o verdadeiro, o último... Assim acontece com tudo, alimentos, pensamentos, pessoas, cidades, poemas, músicas, doutrinas, ordens do dia, maneiras de viver." Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'