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jaques

As flores de jasmim que sorrateiramente se desvendam pelos muros graníticos do lado esquerdo do pacato jardim soltam o perfume primaveril que atravessa a erva por cortar, sobrevoa as curiosas orquídeas dispostas em harmonia um pouco mais ao centro para por fim repousar na pequena figueira no extremo oposto do teu pacato refúgio. Apenas tens por companhia o simpático colibri, incansável no seu melódico bater de asas, do casal de esquilos que se passeia pelo muro e da tua graciosa solidão.
Apesar do elegante contraste entre o verde terreno e o azul celeste, o primeiro salpicado pela candura da flora e o último pela vanglória e criatividade das nuvens, ainda que a mistura de cheiros que se passeia pelo teu jardim convide a um descuido dos sentidos, embora a chama do sol começar a perder algum do seu entusiasmo, não te deixas distrair da tua afincada leitura de fim de tarde. Apesar do confortável banco de bambu em que repousas, encontras-te bem distante deste teu retiro. Lês sobre a não tão distante Paris da fome, miséria e pobreza, o Jaques que todos nós homens temos dentro de nós e o tricotar que todas vocês mulheres guardam no vosso coração, emocionaste com histórias de julgamentos orquestrados, amores ocultos e vinganças seculares, lês sobre a Revolução, a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade e por fim a inevitavelmente Morte. Consumido o livro despertas no teu jardim onde o Sol, estranhamente, há muito desapareceu tornando impossível a leitura do que quer que seja. Deixas por isso o perfume dos canteiros para arrumar na estante as páginas consumidas – se bem que ainda pouco digeridas - e ages como quem tem como certo a inexistência contemporânea da morte como contrapartida de algum bem necessário. Despertas para a tua simpática e cobarde realidade, rendido à evidência de seres demasiado fraco e preguiçoso para poderes mudar nos outros aquilo que sabes ser uma necessidade naqueles que se dizem humanos. Falta-te a coragem para seres Jaques. Jaques, e não José.

escrito por Pedro a 09 fevereiro 2007 //

Hábitos Breves

"Gosto dos hábitos que não duram; são de um valor inapreciável se quisermos aprender a conhecer muitas coisas, muitos estados, sondar toda a suavidade, aprofundar a amargura. Tenho uma natureza que é feita de breves hábitos, mesmo nas necessidades de saúde física, e, de uma maneira geral, tão longe quanto posso ver nela, de alto a baixo dos seus apetites. Imagino sempre comigo que esta ou aquela coisa se vai satisfazer duradouramente - porque o próprio hábito breve acredita na eternidade, nesta fé da paixão; imagino que sou invejável por ter descoberto tal objecto: devoro-o de manhã à noite, e ele espalha em mim uma satisfação, cujas delícias me penetram até à medula dos ossos, não posso desejar mais nada sem comparar, desprezar ou odiar. E depois um belo dia, aí está: o hábito acabou o seu tempo; o objecto querido deixa-me então, não sob o efeito do meu fastio, mas em paz, saciado de mim e eu dele, como se ambos nos devêssemos gratidão e estendemo-nos a mão para nos despedirmos. E já um novo me aguarda, mas aguarda no limiar da minha porta com a minha fé - a indestrutível louca... e sábia! - em que este novo objecto será o bom, o verdadeiro, o último... Assim acontece com tudo, alimentos, pensamentos, pessoas, cidades, poemas, músicas, doutrinas, ordens do dia, maneiras de viver." Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'