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ansiedade

Finalmente adaptamo-nos ao monótono barulho do motor. Já há muito que desligamos o rádio e deixamos de falar com os restantes ocupantes da viatura, o cansaço apoderou-se finalmente de nós ao fim de algumas horas de permanente viagem. Desde o início da jornada, o ambiente que rodeia a estrada deve ter mudado umas duas dezenas de vezes, ficaram-me bem marcados na memória os dois grandes lagos naquilo que penso ter sido o início da viagem, uma cordilheira que se exibia infinita e os campos de sobreiros que se perdiam de vista. Tudo correria bem exceptuando alguns factos que convém assinalar.
Nenhum de nós se consegue lembrar onde começou a viagem e para onde nos estamos a dirigir. Das centenas de quilómetros que já passaram pelas rodas deste carro, em nenhuma delas se apresentou uma saída. E pior, podemos afirmar que estamos perdidos, mas não podemos fazer nada em relação a isso, uma vez que o carro parece seguir sozinho, respondendo a subtis mudanças de velocidade ou de direcção, mas sem nunca se deixar guiar por nós. Estamos enclausurados num carro, sem memória do nosso passado mais distante e sem qualquer vislumbre daquilo com que nos podemos deparar. Estamos presos a esta viagem, sem sabermos porquê.
Entrelaço as mãos, sento-me por cima das pernas, volto a coloca-las no chão, estico-as para cima do tablier, fecho os olhos, tento entender porque raio estou aqui, adormeço, volto a acordar, viro-me para o outro lado, adormeço outra vez, acordo por diversas vezes mas tudo permaneceu igual. Quero sair daqui, sair desta estrada. Mas não consigo. Estou impaciente e revoltado, confuso e completamente transtornado.
Ao fim de uns dias de viagem, já todos arranjaram coisas para fazer. Um está a escrever um livro, outro passa o dia a música que vai passando no auto-rádio e os dois últimos começaram a descobrir as maravilhares do sexo oposto. Sobro eu, no meio deste microclima, a tentar entender porque raio estamos nós numa estrada que nos leva a nenhures. Não pode ser só para passar o tempo.

Forma-se o comum nó na garganta, ao mesmo tempo que tenho a sensação de que o coração deixou de bater. Sei que sinto alguma dificuldade em respirar, mas a verdade é que também não tenho grande vontade para o fazer. Não consigo estar parado e, no entanto, nada do que faça me parece acertado, nada me satisfaz, não consigo ficar saciado. A agonia provocada pela ansiedade. A ansiedade de querer descobrir qual é o próximo passo a dar. O passo que poderá mostrar-me que posso ser útil para qualquer coisa. O sentimento de inutilidade é sem dúvida alguma um dos piores que podemos experimentar. Sentirmo-nos como inválidos, e tudo porque nos dignamos a reflectir sobre o facto de estarmos a agir como é presumido e não como queremos. Porque é que não posso ser como os outros quatro?

Porquê?

"Mas a operação de escrever implica a de ler como seu correlativo dialético, e estes dois actos conexos precisam de dois agentes distintos. É o esforço conjugado do autor e do leitor que fará surgir o objecto concreto e imaginário que é a obra do espírito."

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Hábitos Breves

"Gosto dos hábitos que não duram; são de um valor inapreciável se quisermos aprender a conhecer muitas coisas, muitos estados, sondar toda a suavidade, aprofundar a amargura. Tenho uma natureza que é feita de breves hábitos, mesmo nas necessidades de saúde física, e, de uma maneira geral, tão longe quanto posso ver nela, de alto a baixo dos seus apetites. Imagino sempre comigo que esta ou aquela coisa se vai satisfazer duradouramente - porque o próprio hábito breve acredita na eternidade, nesta fé da paixão; imagino que sou invejável por ter descoberto tal objecto: devoro-o de manhã à noite, e ele espalha em mim uma satisfação, cujas delícias me penetram até à medula dos ossos, não posso desejar mais nada sem comparar, desprezar ou odiar. E depois um belo dia, aí está: o hábito acabou o seu tempo; o objecto querido deixa-me então, não sob o efeito do meu fastio, mas em paz, saciado de mim e eu dele, como se ambos nos devêssemos gratidão e estendemo-nos a mão para nos despedirmos. E já um novo me aguarda, mas aguarda no limiar da minha porta com a minha fé - a indestrutível louca... e sábia! - em que este novo objecto será o bom, o verdadeiro, o último... Assim acontece com tudo, alimentos, pensamentos, pessoas, cidades, poemas, músicas, doutrinas, ordens do dia, maneiras de viver." Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'