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guerras

Uma luta constante perpetua-se na tua cabeça. No cimo de uma colina estão os ares de mudança, prontos para atacar toda a indiferença contida numa apática espera ao longo de um planalto desprovido de interesse. Todos conseguem ver que a mudança é mais forte que a indiferença, que um duelo originaria uma vitória fácil da transformação a partir da displicência da indiferença, mas porém, ninguém sabe o porquê de tal duelo tardar a acontecer. Sente-se a vontade da mudança a aumentar a cada segundo, ao mesmo tempo que a indiferença se acomoda à monotonia diária, à sua falta de orgulho e objectivos. Observam-se ímpetos falhados de alguns guerreiros da reforma que acabam feridos pela própria descrença nas suas atitudes. A indiferença é rainha no oceano das tuas deliberações, torna-se a venda em frente aos teus olhos. A mudança poderia avançar em força e vencer, mas algo a trava. O que será?

Tornas-te apático, mesmo sabendo que está errado. Em momentos assim não há muito a que te possas agarrar e em que possas pensar. Não sabes qual é o próximo passo a dar e, no entanto, se me perguntares, de imediato te respondo. Tu és é parvo.

"Mas a operação de escrever implica a de ler como seu correlativo dialético, e estes dois actos conexos precisam de dois agentes distintos. É o esforço conjugado do autor e do leitor que fará surgir o objecto concreto e imaginário que é a obra do espírito."

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Hábitos Breves

"Gosto dos hábitos que não duram; são de um valor inapreciável se quisermos aprender a conhecer muitas coisas, muitos estados, sondar toda a suavidade, aprofundar a amargura. Tenho uma natureza que é feita de breves hábitos, mesmo nas necessidades de saúde física, e, de uma maneira geral, tão longe quanto posso ver nela, de alto a baixo dos seus apetites. Imagino sempre comigo que esta ou aquela coisa se vai satisfazer duradouramente - porque o próprio hábito breve acredita na eternidade, nesta fé da paixão; imagino que sou invejável por ter descoberto tal objecto: devoro-o de manhã à noite, e ele espalha em mim uma satisfação, cujas delícias me penetram até à medula dos ossos, não posso desejar mais nada sem comparar, desprezar ou odiar. E depois um belo dia, aí está: o hábito acabou o seu tempo; o objecto querido deixa-me então, não sob o efeito do meu fastio, mas em paz, saciado de mim e eu dele, como se ambos nos devêssemos gratidão e estendemo-nos a mão para nos despedirmos. E já um novo me aguarda, mas aguarda no limiar da minha porta com a minha fé - a indestrutível louca... e sábia! - em que este novo objecto será o bom, o verdadeiro, o último... Assim acontece com tudo, alimentos, pensamentos, pessoas, cidades, poemas, músicas, doutrinas, ordens do dia, maneiras de viver." Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'