<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303</id><updated>2011-07-27T01:15:17.255+01:00</updated><title type='text'>Hábitos Breves</title><subtitle type='html'>Gosto dos hábitos que não duram; são de um valor inapreciável se quisermos aprender a conhecer muitas coisas, muitos estados, sondar toda a suavidade, aprofundar a amargura. Tenho uma natureza que é feita de breves hábitos, mesmo nas necessidades de saúde física, e, de uma maneira geral, tão longe quanto posso ver nela, de alto a baixo dos seus apetites.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-7965485264166956745</id><published>2007-05-28T02:51:00.000+01:00</published><updated>2007-05-28T02:52:49.259+01:00</updated><title type='text'>paranóia</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Saíste de casa com cara de miúdo ensonado, atento ao delicioso creme das nuvens e aos frescos cheiros da rua. Sorriste a quem passou por ti e acenaste a quem pensavas conhecer, seguiste o teu caminho de queixo erguido, confiante de que o teu mundo é melhor que o dos outros, não por presunção mas simplesmente porque é teu, ilustrado pelas tuas cores de rapaz sonhador, guiado pelo teu desconexo e maravilhoso querer. Passeaste pelas veias adormecidas da cidade, atentaste nos barulhos que dela suspiram, deixaste-te levar pela sua atmosfera de aldeia indiscreta, apaixonaste-te pela multiplicidade de escolhas que ela te deixa fazer e pela diversidade das tuas reacções ao que ela faz em ti. O isolamento faz-te mal, oxida e deprime, humilha a vitalidade necessária à condição humana, enfraquece a espontaneidade dos sentimentos e a astúcia da fantasia. A liberdade que se inspira no ar, a energia que se retém da vida citadina, os gemidos que se captam e os soslaios que perduram fazem com que o animal mais desprevenido deseje o contacto. Mas tu sonhaste, desejaste e voaste quando saíste de casa com cara de miúdo ensonado, cansado do sono que te afecta enquanto a cidade dança lá fora. Percorreste a atmosfera inebriante, deixaste-te contagiar pelo bonito e pelo feio, apaixonaste-te. E no entanto, mal chegaste a casa tudo se desfez.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Dentro de mim, a paranóia alastra com descarada lentidão, consumindo sem licença o bom-senso e a vontade, deixando, por onde passa, cinzas das grandes árvores que um dia foram fantasias e paixões criadas pelo meu saber. Debilito o sempre fraco pensar com recordações cheias de nada e ideias encantadas de contra-sensos. Perco-me uma, duas, mil vezes no meio de labaredas de gelo púrpura, confusos fios de meadas perdidas. Estou louco. Quero o fogo no céu e as nuvens no inferno, quero fugir de tudo o que é meu enquanto é tempo, soltar-me do cheiro imundo, das mãos apartadas, do corpo miudinho e da mente apagada. Porque é às cegas que rastejo pelo mármore das certezas em busca do interruptor do esquecimento e da paz interior. Pressiono os meus instintos para que trabalhem sozinhos, ou que me deixem em paz. Preciso de uma anestesia, sombras que me enlouqueçam de vez ou que me levem daqui para fora. Por ora, sinto os murros do meu coração dentro de um presente mal embrulhado, com papel rasgado e laço desfeito, descontrolo-me com a perna crepitante e a sua histérica disfunção pneumática, estou fora de mim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A tua cabeça é sala de estar para milhares de aranhas que lutam por uma posição melhor para te destruir um pouco mais a lucidez que esmorece, numa insuportável dor aguda que te despedaça como um contínuo choro amargo, na garganta as pontadas que reis e rainhas de outros tempos deferem com as suas espadas afiadas são actos imparáveis que assassinam qualquer pensamento saudável que tentas produzir. Não consegues engolir, não te deixam respirar, já não sabes o que é dormir e tão-pouco como é pensar. Agarras o escroto procurando a dor que não vem, tentas extinguir a loucura das chamas frias que não deixam de te queimar com prazer, deambulas entre paredes por um som que encante o medo da inalterável constância. Não dói. Não dói. Suprime mas não dói, crepita mas não estala, arde mas não queima. Atiras-te ao chão em convulsivos choques de penumbra cerebral, arrastas-te pela ânsia de converter o que vai ser em é e o que é em nunca foi. Dói-te. Agora dói.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Criatividade, simplicidade, bondade, moderação, objectividade, compaixão, humildade, competência, seriedade e serenidade, onde andam vocês? Não consigo. Aqui não. O querer é diferente do fazer e o meu fazer fica lá fundo na lista dos verbos. Às vezes nada sai como queremos. Queria ser eu outra vez, agora, não amanhã. Soltar-me no mundo novamente e deixar-me levar pelo que ele me quer dar. E falta tanto tempo para tudo. Tempo de mais para quem não tem tempo para desperdiçar, pensando no tempo que já passou a pensar no tempo que ainda vai passar. Nas bordas de porcelana da banheira caem silenciosas gotas do mais índigo dos vinhos, fantasias sofridas de um paranóico desperdício de vida à espera de uma salvação caída de um céu que só às vezes existe. A casa, essa canta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Je ne veux pas travailler, je ne veux pas déjeuner. Je veux seulement l'oublier et puis je fume.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-7965485264166956745?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/7965485264166956745/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=7965485264166956745&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/7965485264166956745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/7965485264166956745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/05/parania.html' title='paranóia'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-7723189185008804370</id><published>2007-05-24T22:51:00.000+01:00</published><updated>2007-05-24T22:54:12.566+01:00</updated><title type='text'>temores de brincar</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Constantemente me recordo do brilho hipnótico daquele televisor antigo, mergulhando a penumbra da pequena sala num inóspito rio de medo enquanto o zunido metálico do aparelho se reflectia pelas divisões vazias da casa onde a minha avó morava. Naquela altura, miúdo concentrado na espantosa magia que a imagem criava e nas histórias sem sentido que elas tinham para me brindar, preenchia as minhas noites de solidão em cima de uma desconfortável e velha poltrona azul, agarrando firmemente os tornozelos, contendo os gritos assombrados de mais uma noite em que eu, medroso, me deixava conquistar pela presença de fantasmas imaginados. Uma casa vazia sempre me fascinou, com os seus cheiros e sons irrequietos todos mesclados numa só crua sensação, desprovida da encharcada e confusa agitação em que o mundo vive fora de cada janela, respirando as histórias que cada parede murmura e sempre esperando que da gaveta com mais pó saia um monstro igualmente poeirento, irrequieto e brincalhão para me contar as horas que o seu dia tem. Naquela altura, as casas vazias eram habitadas por fantasmas faz-de-conta criados por uma infância assustada, sem mais infâncias para partilhar ou redes para amparar quedas desajeitadas. Eram fantasmas que sorriam e inventavam, que me entendiam e tudo partilhavam, quimeras de plasticina em lagos serenos ou espectros de pavor em represa aberta. Sentado naquela sala inundada pelo medo de quem passa a primeira madrugada sozinho, falava com as minhas ilusões na esperança de que elas fossem maiores que o meu corpo, rogando por explicações fáceis sobre o que é feito do certo e do errado, sem gritos intrometidos de uma qualquer cólera extraordinária.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas o ontem já lá foi e é neste presente sensabor que interessa atentar. Pois hoje vos digo, irresponsavelmente inquieto mas sem fio de medo a varrer as veias, deambulando perdido pelas sombras indiscretas de uma solidão vagabunda, sou assombrado pelas meigas saudades dos fantasmas da minha infância, essas fáceis metáforas do meu pequenino antigamente.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-7723189185008804370?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/7723189185008804370/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=7723189185008804370&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/7723189185008804370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/7723189185008804370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/05/temores-de-brincar.html' title='temores de brincar'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-2332151006941653858</id><published>2007-05-21T23:18:00.000+01:00</published><updated>2007-05-21T23:21:19.252+01:00</updated><title type='text'>clamor</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Olá graciosa e perfumada madrugada, que tal um grito para adoçar o teu céu estrelado? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Podem não te interessar as minhas estórias, a ti a quem basta um brilho de Vénus e um sorriso de Lua para encantar qualquer belo apaixonado mais desprevenido, mas apaga por uns momentos o teu esplendor e atenta ao pulsar controlado que todas as noites tenho de ouvir nas profundezas da minha almofada, perdido no meio de tanta definição e certeza sobre o que quero não fazer, desvairado por não poder seguir aquela canção que manda o mundo mudar de vida. Não te dá vontade de explodir histericamente num espectáculo de auroras imperiais a dançar a mais longa das valsas ao som da orquestra dos oceanos e do coro de uma brisa taciturna? Leva-me daqui, ébria noite dos mais profundos sonhos, transporta-me para onde das alturas vires que a queda é maior - faz-me percorrer o mundo cem vezes ou mais, se assim for preciso, mas oferece-me a certeza de um tombo de gigante –  e deixa-me desamparado onde o teu deleite for maior. Mas não pode, diz ela, diz que o nó das amarras é mais forte do que a força do dia e da noite juntos, enfurece-se, endoidece, desiste e destrói-me. E é por isso que gritar se torna a única opção. Numa sonata mal escrita, desespero em enraivecidos cantares de liberdade, solto dos pulmões salvas de lágrimas iradas, dores de pessoas por conhecer e espíritos por ser, solto as cordas de cólera que me prendem a uma infantilidade despegada e grito por eles, exclamo por elas, berro por todos e lanço um bramido por ninguém, esse ninguém que merece mais que todos eles e todos elas, esse ninguém que está preso à cadeira eléctrica da minha exaltação, pronto a ser condenado à morte por toda a companhia que nunca fez e o alento que nunca deu, seguro de que a morte é bem servida a ninguém quando a todos não se pode culpar. Esta noite sinto-me mais confortável, deitado na areia a contar os pirilampos adormecidos das estrelas enquanto o mar só para mim canta. Nesta praia vazia, repleta de ti, de todos e de ninguém, tento sair de dentro de mim enquanto é tempo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-2332151006941653858?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/2332151006941653858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=2332151006941653858&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2332151006941653858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2332151006941653858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/05/clamor.html' title='clamor'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-2080259381870113798</id><published>2007-05-19T17:54:00.000+01:00</published><updated>2007-05-19T17:57:03.930+01:00</updated><title type='text'>escassa eternidade</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Sinto o sangue a precipitar-se apressado pelos veios das minhas têmporas, deixando-me exausto na tentativa de subjugar a minha liberdade irreflectida. Mordo os lábios até deles cair o seu néctar escarlate, procuro abstrair-me das amarras que criaste no meu espírito, carrega-me morto se for preciso. Tira-me daqui e atira-me para um céu onde tenhas a certeza de jamais sobrevoar. A máquina de escrever encravada que é a minha imaginação não consegue parar de cair em trigais de tesouras afiadas, as minhas pernas enfraquecidas pela demência obrigam-me a percorrer os dois metros e meio que separam as paredes do meu quarto em percursos paranóicos por um alívio de qualquer epiléptico saber que a inocente mais desatenta se possa lembrar de trazer. Rasgo o couro cabeludo com as unhas por fazer, toco brandamente na atmosfera megalómana que me rodeia - acabem com isto, façam-me parar por favor, alguém me segure porque eu vou viver. Por vezes deixas-me assim, sem conseguir discernir se quer qual o modo mais sensato de inspirar a vida e expirar o terror, incapacitando-me de crescer para sempre, qual &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Peter Pan&lt;/span&gt; invertido na mágica e perdida Terra do Sempre. Obrigas-me a esquecer, a arrepender-me e a saber que o percurso natural das coisas varia entre o péssimo e o monstruoso. E são apenas escassos dias. Escassos dias sem aquele temeroso barulho infantil, sem a atroada incisivamente lasciva, a voz ignorante e aquele teu rumor agressivo. São só escassos dias que tu, mesmo sem um olhar atento ou uma atenção desinteressada, tens para me brindar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Era tarde e ambos nos encontrávamos cansados de uma vida que ninguém pediu mas que pelo menos um tem direito a cobrar. De rosto fechado e sem lugar seguro para colocar as mãos, saíste pela porta levando contigo tudo aquilo que nunca procuraste ser. Mesmo sem o desejar, espero que o encontres.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-2080259381870113798?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/2080259381870113798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=2080259381870113798&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2080259381870113798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2080259381870113798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/05/escassa-eternidade.html' title='escassa eternidade'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-5400451080312133896</id><published>2007-05-17T13:10:00.000+01:00</published><updated>2007-05-18T01:49:02.150+01:00</updated><title type='text'>inesperado</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Hoje aconteceu-me algo insólito. Acordei forçado, como sempre, pelas primeiras luzes e sinfonias do dia, sendo obrigado a pôr de lado o sonho pelo qual vagueava. Tomei o mesmo banho eléctrico de sempre, numa ameaça directa à boa disposição, vesti-me de forma atrapalhada, sorvi o leite enquanto atentava no despertar da Rua do Zaire e a minha mãe dizia qualquer coisa inusitada ao mesmo tempo que saía atarantada porta fora. Enfastiado pela ideia de ficar em casa o resto da tarde, peguei na bicicleta e voei por entre o trânsito até ao Palácio. Sentei-me no meu banco virado para os Rabelos, peguei no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hamlet &lt;/span&gt;que me tem acompanhado, e deixei que passassem quatrocentos anos por entre aquela hora de relaxamento matinal.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando voltei a casa, fiz um almoço apressado e sentei-me em frente ao computador para trabalhar. Como ser exemplar no que diz respeito à preguiça, comecei o meu trabalho diário pela leitura de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;e-mails&lt;/span&gt;. No entanto, desta vez foi diferente. Os meus olhos enganavam-me de cada vez que tentava entender o que a mensagem dizia. Lia uma vez, duas vezes, três vezes. Nada. «Ex.mo Sr. Pedro Pinto, Parabéns!». Parabéns, mas parabéns porquê? Não faço anos. Se calhar é melhor ler o resto. «Foi um dos vencedores do Passatempo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Interrail &lt;/span&gt;decorrido no site CP de 30 de Abri...» Vencedor? &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Interrail&lt;/span&gt;? Nos clandestinos da minha cabeça, naquele instante, caí de bruços por cima do portátil, desmaiado de alegria. Quando despertei, liguei para o número de contacto que vinha escrito no fundo da mensagem. Perguntei à simpática senhora que me atendeu se era para ela natural brincar com coisas sérias, ouvindo assim do outro lado da linha mágica do telefone uma confirmação de ter ganho um passe &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Interrail &lt;/span&gt;para vinte e dois dias de fantasia. Ganhei mesmo, lembro-me de ter pensado. Não consegui por isso evitar passar o resto do dia em viagem, a bordo de um comboio a vapor que partia vagaroso de Lisboa com destino ao Oriente. Sobrevoei a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Puerta del Sol&lt;/span&gt; em Madrid e os Jardins de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Versalles &lt;/span&gt;em Paris antes de seguir para a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Piazza San Marco&lt;/span&gt; em Veneza, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Santa Maria del Fiori&lt;/span&gt; em Florença, a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fontana di Trevi&lt;/span&gt; em Roma, o barco até Patras que me levaria à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acropolis &lt;/span&gt;de Atenas, a visita a Tessalónica antes do saltinho ao &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hagia Sophia&lt;/span&gt; em Istambul e do deslumbramento pelo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Castle District&lt;/span&gt; em Budapeste, os Palácios Imperiais de Viena, ou a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Charles Bridge&lt;/span&gt; em Praga. A decisão foi rápida, dia vinte de Agosto parto, de sorriso infantil na cara, à descoberta da Europa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não me quero enganar. Há muito tempo que ando amargo com a vida que levo, e parece que alguém lá em cima anda a fazer os possíveis para que o descontentamento desapareça. As Férias Desportivas e a Queima que já lá vão, o Super Bock Super Rock, o Sudoeste, o Paredes de Coura estão quase a chegar e agora aparece a notícia deste &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Interrail &lt;/span&gt;inesperado, antes dos tão aguardados seis meses em Nuremberga, e daquela já pouco secreta surpresa que só deverá chegar, embrulhada em cor-de-rosa ou azul, lá para Outubro. Quem se quiser juntar aos sonhos, é bem-vindo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-5400451080312133896?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/5400451080312133896/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=5400451080312133896&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/5400451080312133896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/5400451080312133896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/05/inesperado.html' title='inesperado'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-4796592506018913447</id><published>2007-05-15T19:31:00.000+01:00</published><updated>2007-05-15T19:33:58.156+01:00</updated><title type='text'>descoordenado</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Absurdas perdições denunciadas por quem já nada deve à delicadeza do controlo tornaram a banalidade destes diferentes dias em riachos trilhados por fantasmas imaginários de peixes azuis. Os grotescos e descoordenados modos numa tentativa fútil e incompreendida de fazer parte do comum perdem em si o sentido, levando a que todos os olhares absortos se foquem na tua própria parvoíce emocional. Encontros e desencontros, esquecimentos e enganos, preconceitos perdidos e inimizades sorridentes, arrelios infantis e amizades que não existem – são todos eles parte de um borrão numa daquelas folhas em papel mate que nasceu destinada a um canto empoeirado dos arrumos de ti mesmo. Tu gostas de mim mas eu não gosto de ti. Ele não gosta de mim e eu também não gosto dele. Todos querem gostar de ti, mas tu não queres gostar de ninguém. E depois vêm os olhares ternos e compadecidos daqueles que disto nada sabem, que te revoltam ou pura e simplesmente te deixam com uma disposição acima da média. Eu não gosto de mim e tu também não gostas de ti, vamos casar e ter filhos? Ou devemos antes ignorarmo-nos até que a morte nos separe? Ela não gosta de mim e eu também não gosto dela. Queres possui-la na parecença infinita com aquilo que não gostas em ti?&lt;br /&gt;Voltam as danças dos sentidos ébrios na razão e no saber, grossos de vista e de movimentos, levados por pés que não estivessem aparafusados pelo metal dos calcanhares e iriam, sem qualquer dúvida, correr para bem longe das tuas tíbias mutiladas. E pela manha, hora de morte de todos os sonhos esboçados na terra, reaparece o deixar andar das coisas que apoquentam os de alicerces menos seguros, pois de nada valem aqueles abanões tempestivos se o prédio não vier abaixo de vez.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ele há coisas sem sentido, não houve?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-4796592506018913447?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/4796592506018913447/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=4796592506018913447&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/4796592506018913447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/4796592506018913447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/05/absurdas-perdies-denunciadas-por-quem-j.html' title='descoordenado'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-1712733409537155702</id><published>2007-04-30T23:52:00.000+01:00</published><updated>2007-04-30T23:57:10.612+01:00</updated><title type='text'>casablanca</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Foram noventa e oito minutos serenamente intensos, feitos dos segredos e emoções cruas de um mundo retratado com as sombras únicas do preto e branco. Não foi por isso difícil deixar-me contagiar pelo simpático &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sam &lt;/span&gt;e as suas interpretações de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;As Time Goes By&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Knock on Woods&lt;/span&gt;, ou pelo sempre irónico e por vezes cáustico humor utilizado durante toda a película. Tão pouco me custou ficar aterrado pelo duelo apaixonante entre a monótona e agressiva &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Die Wacht am Rhein&lt;/span&gt; e a épica e bela &lt;span style="font-style:italic;"&gt;La Marseillaise&lt;/span&gt;. Atónito, imaginei-me por entre os figurantes que desfilavam pelo requinte da vida que, mesmo em Marrocos, se fazia sentir na década de quarenta. Mas claro, o que mais irei para sempre admirar e recordar será o indestrutível amor entre o carácter imperturbável de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Rick Blaine&lt;/span&gt; e a divindade nórdica de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ilsa Lund&lt;/span&gt; que, com a facilidade dos que sabem, me levaram a sentir como se também eu fosse parte daquele afecto infinito.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Esta noite decidi abdicar das páginas de Lobo Antunes, dando-lhes algum repouso merecido, para me entregar sem amarras a um filme que, sem perdão, não fazia ainda parte dos meus pequeninos vinte e um anos de viver. Preparei o bule com um daqueles chás celestiais que comprei já lá vão dois anos em Londres mas que mantém inatacável o seu aroma enternecedor, desliguei as luzes do quarto e refastelei-me, como tão bem o sei fazer, enquanto o genérico de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Casablanca &lt;/span&gt;se desenhava na minha retina. Sabemos que um filme nos marcou quando acabamos de o ver e não conseguimos de imediato regressar ao nosso corpo e às nossas certezas absolutas. No fim de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Casablanca&lt;/span&gt;, também eu fiquei a sonhar com a improbabilidade de um romance construído na Paris do século passado, onde nem mesmo uma ocupação militar poderia retirar a força àquilo que a maioria procura e poucos ou nenhuns conseguem alguma vez atingir por completo. E não precisava de durar eternidades. Para ser inesquecível, noventa e oito minutos com certeza iriam chegar. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;i&gt;Here’s looking at you, kid.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-1712733409537155702?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/1712733409537155702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=1712733409537155702&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/1712733409537155702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/1712733409537155702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/04/noventa-e-oito-minutos.html' title='casablanca'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-840850010188188050</id><published>2007-04-29T18:51:00.000+01:00</published><updated>2007-04-29T19:16:48.932+01:00</updated><title type='text'>exaustão</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Na véspera da mais serena madrugada da sua vida, Teresa entrou naquela velha sala do terceiro piso com as passadas vagarosas típicas da criatura esgotada. Músculos pendentes e apáticos, olhar escarlate fatigado, ruído fino e monótono dentro da cabeça, vestida num ilógico desacordo com as peças de cimo da gaveta. Contornou os típicos olhares de desdém e o burburinho desconexo daqueles que preferiram imaginar o que ela era em vez de lhe perguntar o que sentia, buscou com os olhos a impraticabilidade de um rosto amigo e deixou-se cair na sua cadeira de sempre, aquela de corpo frio, eterno e arrastado falar metálico, e permaneceu apartada à espera que mais uma aula de sexta-feira à noite começasse.&lt;br /&gt;O Professor chegou pontual, tanto no seu atraso de vinte minutos como no seu sorriso encantador, exclusivo daqueles que amam aquilo que são, pousou cuidadosamente a sua pirâmide de folhas e esferográficas na mesa e deu início às duas horas seguintes da vida das doze pessoas que com Teresa partilhavam a sala. Por essa altura, Teresa olhou tristemente em seu redor, e exalou a seu última canção.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Naquela sala do terceiro piso, viste reunida toda a incapacidade para materializar o que querias ser. Os olhares oblíquos e os sorrisos falhados. As amizades por começar e o saber por aprender. O excesso de querer e a falta de poder. Foi certamente por isso que no dia seguinte vieste até mim, num andar próprio de quem já não caminha mas voa, paraste encostada aos limites de um vaidoso tabuleiro sob aquele rio de lágrimas sem fim, respiraste fundo e pediste-me desculpa enquanto partias numa queda que, a ti, para sempre pareceria infinita.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-840850010188188050?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/840850010188188050/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=840850010188188050&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/840850010188188050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/840850010188188050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/04/exausto.html' title='exaustão'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-797810422004726454</id><published>2007-04-21T22:13:00.000+01:00</published><updated>2007-04-21T22:17:04.128+01:00</updated><title type='text'>janela secreta</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Um rectângulo azul pérola preenche metade do meu campo de visão. Bocejo involuntariamente enquanto os meus olhos se habituam à pouca luz que me cega. Sinto os ouvidos tapados e o pescoço dormente. Devo ter adormecido outra vez em cima das almofadas com a música ligada, pobre vizinho do primeiro centro. Levanto-me para trocar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Apologies To The Queen Mary &lt;/span&gt;dos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Wolf Parade &lt;/span&gt;por algo mais de acordo com a minha cara ensonada. Tento encontrar o relógio e descodificar as horas. Cinco e quarenta da manhã. Merda, é cedo de mais. Sento-me à janela que tinha deixado aberta, atraído pelo calor da madrugada e o barulho dos pássaros que têm por hábito acordar junto ao meu quarto, e ai me deixo ficar, com um copo de leite na mão e a voz da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Joanna Newsom&lt;/span&gt; a cantar só para mim lá dentro no quarto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Encostado ao parapeito penso a quantos metros de altura estará o telhado da marquise do rés-do-chão, e o barulho que decerto faria se adormecesse neste preciso momento e caísse lá em baixo. É melhor manter-me acordado, não vá acordar alguém que ainda tem mais um par de horas para descansar. Apesar das caras sempre amigáveis dos meus vizinhos, aposto que eram bem capazes de perder duas semanas a descurar «o rapaz que noutro dia caiu na marquise da Dona Carmen e que não deixou ninguém dormir durante o resto da noite». Começa a chover. Podia jurar que o céu estava estrelado, estranho. Bem, seja como for continua calor, estou confortável aqui, mais vale aproveitar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-797810422004726454?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/797810422004726454/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=797810422004726454&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/797810422004726454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/797810422004726454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/04/janela-secreta.html' title='janela secreta'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-2955589100264468889</id><published>2007-04-17T16:22:00.000+01:00</published><updated>2007-04-17T16:25:42.429+01:00</updated><title type='text'>férias desportivas 2007</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A conversa é sempre a mesma e já chateia. De cada vez que tenho de quebrar a rotina para ir de férias, canso-me da ideia e perco a vontade de ir onde quer que seja. No entanto, minuto e meio depois de a viagem ter começado já não quero outra coisa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sou um rapaz bastante parvo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O comboio partia para Tavira com cerca de setecentas pessoas. Setecentas. Até dói a escrever. Quase tanto como doía andar pelo meio delas, divididas pelas nove carruagens para ver se alguma destas era melhor que a número quatro. Mito, nenhuma a batia. Nem mesmo a do senhor com o acordeão. A viagem foi, obviamente, bem regada, não fosse o povo do comboio todo gente saudável que se conserva bem com muito álcool nas guelras. Para além disso, havia muitos dias para queimar a bebida e tudo o resto. Para variar, à chegada a Tavira já tinha perdido a voz sabe Deus onde.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Feita a viagem, não foi muito difícil deixarmo-nos encantar por Pedras D’el Rei, pelo seu aldeamento praticamente todo para nós, pelas casinhas para gente pobre e para gente fina, pelas listas de recheio com talheres, chávenas, colchões e mesinhas de apoio a duzentos e cinquenta euros que não podiam ser roubadas, pelo supermercado da nutella, da fita-cola, da cerveja e da papa de bebé, pela piscina de três metros e meio, pelos atalhos, pelo alfa-pendular da Praia do Barril e pela bela da Praia e do mar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De manhã éramos brindados com a Dona Fernanda que com muito mimo, para não nos acordar, perguntava se podia fazer o servicinho, éramos abençoados com um leitinho com mel de biberão para curar a garganta mal amanhada que tão bem sabia a mamar, com os roncos de alguém e com a bela da loiça por lavar. Foi a semana do arroz de marisco para trinta e cinco pessoas, dos iogurtes com frases bonitas como «Tens o meu carinho nas tuas mãos», das corridinhas para queimar o feijão, do meu pé torto mas belo, das fotografias com o Quim e com muitas conversas, nascimentos e falecidos, do chouriço às sete da manhã, da casa de banho sem luz e do Pélvis, o Polvo Elvis. Á noite era tempo de festa, ora do Azeiteiro – de palito na boca, camisa a condizer, calcinha arreganhada, meia branca e chinela -, ora a da noite Branca – transformada em noite da Toga à força da inspiração divina dada pelos lençóis que a Dona Fernanda trocava aquando do seu servicinho – ora a noite dos anos 70, sem espaço para dançar com roça-roça malicioso, tudo pelo espírito da paz e do amor.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas havia mais. Houve o Senhor Manuel que nos fez prometer que tratávamos bem das suas meninas – e elas lá arranjaram por certo alguém melhor que nós para as tratar -, houve a Ritinha das sardas, houve o Segurança Nelson que me deixava roubar flores e o Segurança Brasileiro que quase que nos mordia com suas presas por nós querermos levar chantilly – a bela da arma de arremesso – para a festa. Houve a Clara que fez anos e que pediu umas trinta vezes pela «Só um Beijo», a Joaninha que ia para a cama cedo e a Joaninha que me deixou ganhar no vólei, o Jonas do Yoga, o Lourenço Arrasa-Corações, a Inês que ganhou o torneio e a Ana da Mafita e a Mafita da Ana. Houve a Ronrom e o Daniel (ou seria Diogo ou David?) do ginásio com as amigas da Pum, o Curado que não se lembrava de mim, a Vania com Y que tão bem se mexia, e o Rui que queria dar beijinhos no Jonas do Yoga. Houve a Liliana que dava picas no dedo e os senhores que nos puxavam pela Banana. E houve muito mais gente, uns que o álcool lá destruiu e outros de que me vou lembrar quando acabar de escrever aqui o testamento.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Houve Gigi. De manhã comia cereais, leitinho e tinto, ao almoço comia chouriça e tinto, ao jantar comia marisco e tinto. Tanto tinto bebeu que ficou rosada nas pontas, o que não significa por isso que tenha sido mal tratada. Era o nosso rebento, tratada como uma rainha e sobreviveu bem viçosa durante os cinco dias de festa rija. Foram os dias em que a Gigi viu que não tinha Cástrol, em que aprendeu a nadar e a cantar músicas bonitas. Foram os dias em que o mundo conheceu a Gigi e ela se tornou a Deusa das Verduras. Longa vida à Gigi. Mas mais do que tudo, houve Popozudas, e só deu Popozudas. Se as Popozudas não ganharam foi porque não quiseram, porque não se sentiam bem a ter de voltar para o ano sem pagar quando todos os outros teriam de, possivelmente, vender o corpo para pagar os cento e vinte euros de inscrição. Tinhamos a Joaninha que marcou golo para Portugal, a Paulinha que tanto enrolava o cabelo pela voz do Lourenço, a Romi Romi e os taus que com tanto carinho eu lhe oferecia, a Rosa com o seu cheiro e o seu Pepino Assanhado, a Neide que tão bem lambeu o chantilly, a Aninhas que com tanta força me destruiu o coração, a Rita Rute e as suas calças floridas e a Rute Rita que, mesmo sem saber, me emprestou o cinto. Todas elas, bem tratadas pelos seus cavalheiros. Dani, Rui e Cláudio: fomos grandes.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Próxima paragem: Super Bock Super Rock. Sobe equipa!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-2955589100264468889?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/2955589100264468889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=2955589100264468889&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2955589100264468889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2955589100264468889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/04/frias-desportivas-2007.html' title='férias desportivas 2007'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-5211131179704225255</id><published>2007-03-19T18:50:00.000Z</published><updated>2007-03-19T18:51:45.785Z</updated><title type='text'>ponto final, parágrafo</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Deste o último gole no morno chá de anis que te acompanhou durante o fim de tarde, refastelaste-te no sofá sentindo todo o teu corpo a relaxar suavemente, fechaste bem os teus olhos, cansados de ver, e repousaste. Ao fim de vários meses de incertezas e sentimentos menos seguros, voltaste finalmente ao teu bem-estar natural, sem entender ao certo porque é que ele te deixou sozinho durante tanto tempo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Bem sei que criamos as nossas próprias depressões, mas também convém reconhecer que, uma vez dentro de uma, é incrivelmente difícil dela sair. Andei desnorteado durante meses a fio, com sérias dúvidas sobre o meu valor e, agora, olhando para trás, posso apenas concluir que sou uma pessoa bastante só. Não o gosto de ser, é certo, o habitat natural das pessoas é onde quer que possam estar rodeado de pessoas que lhe são queridas, mas também não é errado dizer que se o sou porque assim fiz por acontecer. Consigo aliás imaginar muito boa gente que ao ler estas linhas não irá conseguir deter um leve esgaçar de um sorriso imperfeito, prémio por uma gloriosa e talvez até merecida desforra.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sou uma pessoa expansiva, que gosta de falar sem pensar e, infelizmente, isso revela-se catastrófico vezes sem conta, levando a que uma ideia menos bem conseguida dê origem a mal estar por parte de quem me ouve. Isso, além daquele eterno sentimento de idiotice relativa, levou-me a que me quisesse afastar de tudo. Depois, veio a incerteza relativamente àquilo que queria realmente fazer, o que, com tão poucas pessoas em quem me apoiar, foi desastroso. No entanto, se não queremos morrer mais vale mesmo lutar por sermos melhores. Agrada-me compreender que nunca desisti, e que continuei sempre a acreditar que podia ser melhor. Apesar de não o ser (melhor do que era), voltei a estar de olho arregalado, sorriso na cara, língua aguçada e palato afinado. É provável que o estado de espírito seja passageiro, que seja potenciado pelas perspectivas dos seis meses que vou estudar em Nuremberga, do estágio curricular que vou fazer sabe-se lá onde e pela probabilidade de trabalhar por esse mundo fora, com tão pouco aqui que me prenda verdadeiramente. Posso também estar deveras feliz pela notícia que ontem me trouxe uma ou duas lágrimas aos olhos, juntamente com um sorriso do tamanho do mundo. E apesar de, por agora, não poder escrever aqui do que se trata, bastar-me-á dizer que foi a melhor notícia que me lembro de ter recebido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Decidi assim não desistir de um curso que me vai dar oportunidades de trabalho que só estudantes em áreas ligadas às tecnologias podem obter, nem pôr de lado uma vida que mesmo com todas as contrariedades que pode vir a ter, é a única que vou ter a oportunidade de fruir. Se me perguntarem hoje o que é que quero fazer de mim, não terei muitas dificuldades em responder. Não quero criar raízes, nem agradar a ninguém. Não sonho em construir uma carreira, família e legado, nem aspiro com riqueza e luxúria. Quero aprender o máximo que puder, de tudo o que puder. Quero conhecer pessoas novas, explorar os lugares mais estranhos deste planeta, comer as comidas mais intragáveis e delirantes. Quero ler muito, fotografar muito, beber muito, rir muito e saber que ainda sou importante para algumas pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A essas pessoas, aquelas que não desistiram nunca de me chatear, de partilhar comigo os desvarios mais insólitos, nervosos e repentinos, aqueles que me ajudaram a sonhar um bocadinho:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;na minha solidão, gosto de vocês.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-5211131179704225255?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/5211131179704225255/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=5211131179704225255&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/5211131179704225255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/5211131179704225255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/03/ponto-final-pargrafo.html' title='ponto final, parágrafo'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-4394035872965871986</id><published>2007-02-09T02:06:00.000Z</published><updated>2007-02-03T16:53:40.695Z</updated><title type='text'>jaques</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;As flores de jasmim que sorrateiramente se desvendam pelos muros graníticos do lado esquerdo do pacato jardim soltam o perfume primaveril que atravessa a erva por cortar, sobrevoa as curiosas orquídeas dispostas em harmonia um pouco mais ao centro para por fim repousar na pequena figueira no extremo oposto do teu pacato refúgio. Apenas tens por companhia o simpático colibri, incansável no seu melódico bater de asas, do casal de esquilos que se passeia pelo muro e da tua graciosa solidão. &lt;br /&gt;Apesar do elegante contraste entre o verde terreno e o azul celeste, o primeiro salpicado pela candura da flora e o último pela vanglória e criatividade das nuvens, ainda que a mistura de cheiros que se passeia pelo teu jardim convide a um descuido dos sentidos, embora a chama do sol começar a perder algum do seu entusiasmo, não te deixas distrair da tua afincada leitura de fim de tarde. Apesar do confortável banco de bambu em que repousas, encontras-te bem distante deste teu retiro. Lês sobre a não tão distante Paris da fome, miséria e pobreza, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jaques &lt;/span&gt;que todos nós homens temos dentro de nós e o tricotar que todas vocês mulheres guardam no vosso coração, emocionaste com histórias de julgamentos orquestrados, amores ocultos e vinganças seculares, lês sobre a Revolução, a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade e por fim a inevitavelmente Morte. Consumido o livro despertas no teu jardim onde o Sol, estranhamente, há muito desapareceu tornando impossível a leitura do que quer que seja. Deixas por isso o perfume dos canteiros para arrumar na estante as páginas consumidas – se bem que ainda pouco digeridas - e ages como quem tem como certo a inexistência contemporânea da morte como contrapartida de algum bem necessário. Despertas para a tua simpática e cobarde realidade, rendido à evidência de seres demasiado fraco e preguiçoso para poderes mudar nos outros aquilo que sabes ser uma necessidade naqueles que se dizem humanos. Falta-te a coragem para seres &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jaques&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jaques&lt;/span&gt;, e não José.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-4394035872965871986?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/4394035872965871986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=4394035872965871986&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/4394035872965871986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/4394035872965871986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/02/jaques.html' title='jaques'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-2488333704691090391</id><published>2007-01-30T23:55:00.000Z</published><updated>2007-01-31T00:55:24.139Z</updated><title type='text'>bom dia</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Um gato tresmalhado deambula a teu lado pelo passeio de uma rua ainda deserta, tentando adivinhar o porquê do velho hábito humano de usar apenas duas patas para se deslocar, desafiando teimosamente uma gravidade que o tenta impedir de voar. Por pouco faltar aos ponteiros para atingir as primeiras sete horas do dia, o frio mostra-se mais astuto em entorpecer os músculos do teu corpo ao mesmo tempo que torna mais robustas as livres cogitações do teu espírito, produzindo assim uma confortável e desperta sensação de brandura matinal. Não costumas acordar cedo, embora esse seja um dos prazeres que te satisfaz, desde que parta de um passo livre de qualquer obrigação e hoje, porém, não te resguardaste do ar glacial – ou pelo menos o mais glacial possível a que um clima temperado pode aspirar – e deixaste sono e cobertores para te dedicares ao labor de nada fazer. Estás exausto de acordar fatigado durante os últimos meses, angustiado tanto por coisas a que foste capaz de tirar um bom retrato como por factos que apesar de te incitarem a dias soturnos, não fazem parte do teu reportório de queixumes obtusos. E como a exaustão não leva ninguém a bom porto, abriste os olhos bem cedo para quebrar com o que vai mal em ti – não a vida, que essa será sempre gloriosa enquanto existe, mas sim a maneira de a dançar.&lt;br /&gt;Pois bem, segue a tua própria orientação matinal e acorda para aquilo que sempre foste. Esquece a dor, ela que nunca se lembrou nem se magoou por ti. Despreza o que te pisa a alma inexistente, tem mais coragem que os outros e ri como sempre soubeste rir! Entusiasma-te com as pessoas, com os cheiros e emoções que elas emanam, com a desordem do mundo em que vives, esse mundo que não necessita de qualquer explicação desde o tempo distante em que o homem inventou por si a alegria, a comoção, a espontaneidade e acima de tudo, o esquecimento! Pois não é necessário procurar explicações para interesses aos quais nunca irás dar uso a não ser para o tormento insignificante, desfaz-te deles em águas profundas, lacera os seus elos com a tua consciência, dança! Dança disparatadamente! Dança, não to ordeno, imploro! Pega pelas mãos da mulher que passeia a teu lado na rua, com a sua pele enrugada por histórias de mil vidas, tira-a do chão e dança!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Está frio, é certo, mas ninguém se importa. Estão todos entretidos a dançar, e tu não queres nem vais ser uma excepção à regra. Pouco passa das sete da manhã. São sete da manhã aqui no Porto, sete da manhã em Estocolmo, sete da manhã em Pequim e sete da manhã em Santiago do Chile. São sete da manhã e o mundo saiu à rua para dançar ao som da vida, crianças com graúdos, africanos com indianos, americanos com iranianos, comunistas e conservadores, todos juntos festejam a música inaudível, esquecendo-se dos problemas que nunca existiram. Bom dia, é o que todos cantam sem saber.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-2488333704691090391?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/2488333704691090391/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=2488333704691090391&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2488333704691090391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2488333704691090391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/01/bom-dia.html' title='bom dia'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-465978335543092156</id><published>2007-01-28T17:42:00.000Z</published><updated>2007-01-28T17:43:29.698Z</updated><title type='text'>perspectivas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;São perspectivas diferentes de olhar a mesma rua que num dia se mostra repleta de carros que te destroem com o seu ruído insuportável, gente de olhar incerto, lojas arcaicas com as suas inúteis baixas de preços, e no outro te ilumina os olhos com os seus alvos e imponentes edifícios que suportam um cintilante céu índigo, cercados por todos os aromas que uma cidade por vezes ainda consegue guardar. São modos distintos de reagir a um sorriso escondido que entre dois piscar de olhos passa de banal a épico, que te deixa mais cabisbaixo por saberes que não lhe poderás nunca vir a tocar ou extremamente satisfeito por saberes que há quem mereça ser verdadeiramente feliz. São ideias divergentes expostas pela mesma pessoa, sobre o mesmo tema, mas em circunstancias diferentes e que se tornam decisivas para uma alteração completa de raciocínio, tanto para melhor como para pior. São emoções opostas que a mesma música te transmite, ora depressão refinada destruidora de todo a alegria inata em ti, ora exultações explosivas que descarregam no teu sistema adrenalina em quantidades nocivas ao infortúnio. São formas diversas de receber a alvorada, de querer mudar a vida ou de desejar afincadamente manter tudo como está. São perspectivas diferentes de olhar a mesma rua, essa que hoje me delicia com os seus alvos e imponentes edifícios que suportam um cintilante céu índigo, cercados por todos os aromas que uma cidade por vezes ainda consegue guardar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-465978335543092156?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/465978335543092156/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=465978335543092156&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/465978335543092156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/465978335543092156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/01/perspectivas.html' title='perspectivas'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-8528696605587639467</id><published>2007-01-27T17:00:00.000Z</published><updated>2007-01-27T17:37:10.181Z</updated><title type='text'>prazer</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Gosto das raras vezes em que acordo totalmente desperto, gosto de dias quentes de verão passados na praia sem misérias para contar, do cheiro das coisas e das recordações que cada cheiro produz em mim, de perfumes, apesar de detestar a forma que eles tomam em contacto com a minha pele, de pedalar pelas estranhas ruas da minha cidade até não poder mais com as pernas, das músicas que me deixam triste, feliz, deprimido, extasiado, irritadiço ou afortunado, gosto de tocar, mal, guitarra, gosto de aspirar a tocar piano e a ter um bar com sofás, mantas, um microfone e sem uma nuvem de fumo a estragar a pintura, gosto de conduzir sem destino, de criar relações únicas com cada livro que leio, de chocolate, de bolachas, de chocolate outra vez, de coçar onde faz comichão. Gosto de chá, de café, de vinho e de água. Gosto de aprender sem ser obrigado, culturas, línguas, ideias, gosto de diferenças. Gosto de coisas bonitas, de pessoas bonitas e de estados de espírito bonitos. Gosto de figuras descomprometidas com a vida, de discussões, de conversas sem sentido e de risos inesperados, de me sentir confortável, de observar, não tanto de ser observado. Gosto de escrever, apesar da falta de jeito para tal, não tanto pelo acto da escrita em si mas pelo que advém dela uns tempos depois, quando voltamos atrás no tempo para ler o que ficou feito ou pensado. Gosto do antigamente, das pessoas que já não existem, dos livros com cheiro secular, das fotografias do que era, da história daquilo que passou e não volta a acontecer, das árvores que são mais antigas que a história. E, geralmente, gosto do fim.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-8528696605587639467?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/8528696605587639467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=8528696605587639467&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/8528696605587639467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/8528696605587639467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/01/prazer.html' title='prazer'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-5981160331358180739</id><published>2007-01-23T00:29:00.000Z</published><updated>2007-01-23T00:31:59.294Z</updated><title type='text'>demência</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Pinceladas de uma loucura anunciada abusam de mim como sua tela em dias como este, onde a exaustão do que não quer ser feito se apodera de toda a minha falta de vontade para a concretizar no ócio de luzes que dificilmente poderiam ser mais monocromáticas. Perco-me na ambiciosa serenidade oceânica de nada fazer, mirando o algodão do pensamento como quem busca um fio mais branco que todos os seus níveos irmãos, brinco no baloiço da impaciência que tanto teima em oscilar sem a bravura necessária para me lançar no longínquo. Parece uma eternidade, este momento que dura dias a passar, teimando e insistindo para que seja concluída a tarefa que, a ser genuinamente cândida, nunca deveria ter sido iniciada. Parece um instante, a eternidade que passou enquanto era evitada essa mesma tarefa, numa tentativa desesperada de que de olhos cerrados os problemas se transformassem em fumo de cores infinitas, embelezando a era que se seguiria, beleza inocente para todo o meu exíguo sempre. E é todo o empenho em adiar o necessário que torna em cinza a própria chama presente a cada alvorada, corrói os elos com o mundo até deles restar uma pobre memória, transforma toda a sensatez em penosa demência.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-5981160331358180739?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/5981160331358180739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=5981160331358180739&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/5981160331358180739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/5981160331358180739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/01/demncia.html' title='demência'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-8706881021049859886</id><published>2007-01-22T01:30:00.000Z</published><updated>2007-01-22T01:32:03.157Z</updated><title type='text'>cópia perfeita de realidade imperfeita</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;O mar revoltado de Inverno despeja no ouro deste meu areal sinuoso memórias ásperas de exactidão e realidade de tempos que foram mas já não são. À falta de reminiscências dos sonhos mais frutados ou de um qualquer momento com tanto de meigo como de eterno, perco-me na única sensação que de ti ainda posso experimentar. Escolho-te num retrato fortuito, perto o suficiente da imagem que guardo daquilo que foste para que nela possa esconder tudo o que de errado a partir de ti aconteceu. E como um só mirar não acalma os sentidos, com o meu jeito descuidado percorro a tua expressão, não como ela era mas como dela me recordo. Sei que me retribuis, com mais benevolência do que afecto, o que de imediato desencadeia uma salva de agulhas que me percorre a cada toque teu. Obrigas-me a parar, cerrar os dentes e rasgar o retrato que para sempre prometia durar. Tu foste a minha brincadeira de primária, paixão de secundário e amor de tempos confusos.&lt;br /&gt;Não. Minto. Jamais chegaste a amor, pois quem aqui escreve nunca soube como amar. Prova disso é a certeza cruel de não sentir a tua falta, mas sim a da concepção irreal que para sempre guardarei de ti. Infelizmente, não há conceito ou imagem que supere a violência com que o meu corpo pede os teus doces braços perdidos em tudo o que em tempos foi teu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-8706881021049859886?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/8706881021049859886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=8706881021049859886&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/8706881021049859886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/8706881021049859886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/01/cpia-perfeita-de-realidade-imperfeita.html' title='cópia perfeita de realidade imperfeita'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-7764575008902174414</id><published>2007-01-21T21:06:00.000Z</published><updated>2007-01-21T21:26:52.736Z</updated><title type='text'>luto</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Apesar de Deus estar morto e enterrado, já ninguém se importa com isso – isto, se é que alguém alguma vez se importou. O mundo vive num rodopio infernal que se mistura com a vontade de uns em criar obra, - pouco motivados com a obra em si mas com tudo o que ela lhes poderá trazer - de outros em deixar legado, - tentando fazer dos seus filhos os filhos que eles nunca foram - daqueles em impressionar uns e outros, - porque não nos contentamos em ser simplesmente nós; o nós, tem de ser significativamente melhor que o eles - deles em cobiçar o que elas fazem, - porque se elas fazem, elas são melhores que eles, o que significa que eles também têm de fazer - delas em falar do que eles fizeram , - porque se eles fizeram, é preciso falar sobre isso até se concluir que elas fariam o mesmo, mas melhor.&lt;br /&gt;No entanto, não é que vivendo no meio de todo este turbilhão de afazeres, dolorosos pela falta de perspectiva, ninguém pergunta porque está dentro dele? Se antes tinham ainda um Deus a seguir, um éden a aspirar e o abismo para evitar, hoje em dia apenas o trabalho de todos, a glória de uns e o infortúnio de outros é que conta para a glória deste nosso mundo. De um anho desamparado pertencente a um rebanho ignorante mas satisfeito que seguia um único pastor, decidimos ser cordeiros sem rebanho e sem pastor, mas sempre cordeiros, sempre animais. Deus está morto. Eles não se importam com isso, os animais. Importo-me eu. E se não me posso apoiar no Morto, a que me devo agarrar então?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-7764575008902174414?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/7764575008902174414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=7764575008902174414&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/7764575008902174414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/7764575008902174414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/01/luto.html' title='luto'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-2634237364841007355</id><published>2007-01-17T22:22:00.000Z</published><updated>2007-01-17T22:24:06.415Z</updated><title type='text'>dissimulações</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Sentando num qualquer banco de jardim esquecido no tempo, confrontas-te com a disparidade entre a pessoa que és e aquela que aspiras ser. A tarefa a que te propuseste de te tornares num homem mais sóbrio, que tenta a tudo o custo não ser regido por instintos primitivos e descabidos, descortina-se bastante mais tumultuosa e bicuda do que aquilo que à primeira vista te poderia parecer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A orientação por estados de emoção básicos – medo, felicidade, tristeza e raiva – é intrínseca ao ser humano, sendo por isso anti-natura tentar afastar estas quatro reacções ao nosso quotidiano. No entanto, é vulgar observar atitudes indiferentes a situações que deveriam desencadear gargalhadas descontroladas, histerismos desmedidos ou uma ira absurda. Apesar do calculismo, indiferença ou falta de sensibilidade a que casos destes possam estar associados, invejo pessoas assim.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-2634237364841007355?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/2634237364841007355/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=2634237364841007355&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2634237364841007355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/2634237364841007355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/01/dissimulaes.html' title='dissimulações'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-5506254975672417933</id><published>2007-01-16T23:00:00.000Z</published><updated>2007-01-16T23:01:41.501Z</updated><title type='text'>vulgaridade</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Tantas ideias para escrever, em qual pegar? Nos últimos dias parece que tenho a cabeça repleta de futilidades, nódoas na consciência que apenas nela se encontram para esconder o que verdadeiramente tenho de fazer mas que aparentemente surge como difícil de deslindar. De qualquer das maneiras, aqui vai um pensamento.&lt;br /&gt;“O destino da raça humana está nas mãos de pessoas bem mais adequadas ao desafio do que eu. Apesar da vantagem ou não de invenções prodigiosas poderem dar lugar a outro texto, convém não descurar destas enquanto escrevo e, por isso, não o vou fazer. Melhor do que isso, e na senda daquilo que tenho feito e que é sem dúvida o meu território, vou por ora cingir-me ao meu próprio achincalhamento. Sou preguiçoso, não muito brilhante de cabeça e, mais do que tudo, um desmotivado de primeira categoria que sabe de antemão que jamais estará envolvido numa descoberta que mudará o rumo da humanidade. Restar-me-ia então a suposta paz intrínseca da vulgaridade do ser. No entanto, ao chegar a esta rápida e confortável conclusão, sinto de imediato uma pontada na moral que me diz que mesmo não tendo recebido no legado uma mente pujante em inventos fantásticos deveria talvez tornar-me um instrumento útil para aqueles que dotados nasceram. Então, deveria servir a humanidade e ajudar a que este mundo fosse melhor daqui a outros dois mil anos. &lt;br /&gt;Ora porra, que se dane isso! Se há gente mais talentosa para gerir um pais, descobrir vacinas, conhecer o que o espaço tem para nos mostrar, inventar porcas e parafusos, porque raio não deixar esse trabalho para essas mesmas pessoas? Porque não posso eu viver à sombra desses que inventam e fazem, sem que para isso tenha de sentir um aperto na decência? Sociedade esquisita, esta a nossa, que nos obriga a fazer as coisas – mesmo que a contra-gosto – para que assim consigamos subsistir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não pedi a ninguém para existir e, verdade seja dita, ninguém me força a continuar a tal existência. No entanto, gostava de levar uma vida onde a tal paz trazida pela minha vulgaridade me deixasse viver. Viver para existir, é certo, mas pelo menos para não ter possibilidade de pensar nisso.”&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-5506254975672417933?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/5506254975672417933/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=5506254975672417933&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/5506254975672417933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/5506254975672417933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/01/vulgaridade.html' title='vulgaridade'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-4261222578549860506</id><published>2007-01-12T18:13:00.000Z</published><updated>2007-01-12T18:34:05.527Z</updated><title type='text'>vigília</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Há um par de horas que a penumbra se apoderou de um quarto que pouco ou nada de relevante tem para contar. Decidiste esquecer a janela aberta, convidando a entrar o brilho sonhador do céu pintado de branco e o frio de mais uma noite de um Inverno que se mostra pouco rigoroso. Durante esse par de horas sonhadoras, formulaste ideias e pensamentos voláteis cujo fim é pouco certo, tentando encontrar projectos de mil cores para cair no tão desejado sono profundo, delicioso subterfúgio que te afasta de tudo o que invariavelmente te abespinha e que terminantemente ambicionas deixar para trás.&lt;br /&gt;Infelizmente, nas últimas noites a falta de sono conquista tudo o que em ti vive, forçando-te a viver tudo aquilo de que pretendes fugir uma e outra vez. Estás cansado de evasivas, mas sabes também que são elas que, de um momento para o outro, podem alterar o teu modo de estar. Prostrado no colchão pouco ou nada confortável, enterras os cabelos na almofada à espera que o cansaço derrube a insónia, e que todas as ideias infames que produzes, acerca daquilo que irás fazer no dia seguinte para te salvar, se esvaeçam no ar gélido.&lt;br /&gt;Estás cansado, é compreensível. Tudo o que ambicionavas no passado apresenta-se agora como fútil, nada interessante, pouco digno do esforço que estavas disposto a aplicar. Como tal, à falta de verdadeiras direcções que sabes querer tomar, decides fazer uma pausa, vivendo nos livros as vidas que outros sabem criar de uma forma infinitamente mais criativa e bela do que aquela que tu usas para criar a tua. Apetece-te estar sozinho, tornar-te outra pessoa, e no entanto mesmo isso falha. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nem tudo seria mau, se pelo menos conseguisses dormir.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-4261222578549860506?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/4261222578549860506/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=4261222578549860506&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/4261222578549860506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/4261222578549860506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2007/01/viglia.html' title='vigília'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-8897759504288118354</id><published>2006-12-27T02:21:00.000Z</published><updated>2006-12-28T03:00:51.434Z</updated><title type='text'>ego</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Fanatismos incondicionais à parte, o nosso ego em tudo se assemelha a um singular animal carente de aceitação e conforto, esperando pacientemente pelos nutrientes que o seu dono lhe fornece diariamente ao longo de toda a sua duradoura vida. Aquando da falta do bolo alimentar necessário para se manter, o ego aventura-se a enfrentar um temeroso esgotamento que pode mesmo levar o seu portador a uma quebra incontornável do seu brio e fulgor habitual. Um indivíduo não precisa de despender muito do seu tempo a analisar um grupo de pessoas para entender que todo o jogo de palavras que entre elas decorre se resume a uma luta de egos, ciosos de sobressair mais do que os outros animais, impacientes por devorar cada pensamento mais ou menos elaborado que os seus proprietários souberam conjugar. Na grande maioria das partes fazemo-lo de forma involuntária, comparando pensamentos ou formas de agir nas mais diversas situações, mas são também muitas as vezes em que se torna descarado o modo como outrem tenta imprimir no nosso raciocínio as suas certezas absolutas e absolutamente disparatadas. Cair em jogos de egos é um dos maiores erros em que a pessoa pode capitular, sob pena de entrar numa luta da qual não quer fazer parte e na qual, uma vez dentro, não poderá sair sem entrar em extremismos inadvertidos e que em nada se assemelham às reais aspirações individuais.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Gosto de egos pouco insuflados, senhores do seu devido e merecido orgulho mas que sabem quando é tempo de parar. Por outro lado, abomino egos, como o meu, que por vezes não conseguem controlar a verborreia automaticamente debitada que libertam em pleno debate de ideias e que, em geral, transportam quem nos ouve até uma refulgente estupefacção seguida por um imenso descrédito por tudo aquilo que queremos realmente afirmar. Cada vez mais se diz muito sem pouco dialogar, o que leva a um inevitável afastamento das pessoas e a uma precariedade no juízo que das nossas ideias e posições se retiram. É uma pena. A culpa, acho, é da necessidade de termos um ego maior do que aquele que realmente nos assenta às medidas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-8897759504288118354?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/8897759504288118354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=8897759504288118354&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/8897759504288118354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/8897759504288118354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/12/ego.html' title='ego'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-8314705847294764463</id><published>2006-12-19T23:46:00.000Z</published><updated>2006-12-19T23:47:48.440Z</updated><title type='text'>metamorfoses</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A dor é capaz de incapacitar todo o teu raciocínio, afastar qualquer vontade de acordar que pudesse alguma vez restar, premiar o desmazelo e a impertinência de um corpo oferecido às maravilhas da indolência. Ela pode arrastar dias da tua vida e torna-los em anos bem crescidos que tu jamais lembrarás de ter visto passar, consegue apagar traços de felicidades empíricas e semear dúvida em lugares eternamente inabaláveis. A dor que te consome tem em ti um porto seguro que não pensa deixar. Ela devora-te. E no entanto, é essa mesma dor que te transforma. A dor aguda que se apropria da tua exuberância leva à delicada mas inquietante dúvida, a dúvida ao problema que formulas para com ele conseguires ganhar algo de bom, o problema à reflexão, reflexão esta que te desgasta mais do que a própria dor que tanta agonia causava no início do parágrafo. E por último, é a reflexão que te faz alcançar um desígnio capaz de te fazer ver que a dor em si é ridícula e supérflua, que humano como és consegues pegar na tua aflição e transforma-la numa lição. É este desígnio que fará de ti uma pessoa melhor. A dor é útil. Só precisas de suportar a bofetada com um sorriso maior do que aquele presente na cara de quem ta dá, mesmo que esse alguém sejas tu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-8314705847294764463?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/8314705847294764463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=8314705847294764463&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/8314705847294764463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/8314705847294764463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/12/metamorfoses.html' title='metamorfoses'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116554304442637588</id><published>2006-12-08T01:56:00.000Z</published><updated>2006-12-08T01:57:24.436Z</updated><title type='text'>o espelho</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Uma e dezanove da manhã. Dentro do teu quarto o silêncio supera a escuridão, sinal de que deverias estar a embarcar no mais profundo sono. Inversamente, lá fora o temporal não se mostra disponível para cessar, ouvindo-se gritos trazidos pelo vento e ritmados por uma batida irregular da chuva nas paredes do teu quarto. Passaram aproximadamente quinze horas desde que te levantaste e, no entanto, nenhuma delas fez para ti qualquer diferença. Muitas coisas deverias ter feito mas, chegando ao fim do dia, tudo permanece na mesma, como se o tempo tivesse aportado numa qualquer ilha no meio do Atlântico, esperando que tu estejas pronto para prosseguir o teu trajecto. A única diferença em relação ao dia de ontem é a folha nova no calendário e o agravamento do peso dantesco que carregas dentro da tua cabeça e do sufocante aperto a que está submetido o teu coração. Não tens determinação suficiente para te mexer. Estás apático, irresoluto. Sentes-te obtuso, ignorante, impaciente e debilitado. Hoje não gostas de ti. Por diversas vezes te olhaste no espelho. Para a maior parte das pessoas, fitar a pessoa no espelho faz parte de um ritual de agravamento da auto-estima, de assimilação da grandeza própria. Para ti, é uma tentativa de te encontrares, de tentares escapar do fundo buraco em que foste cair. Por diversas vezes te olhaste no espelho, mas em nenhuma delas encontraste o que querias. Com quinze horas de temporal decorridas, no espelho não consegues encontrar beleza ou deformidade. Apenas consegues fitar uns tristes olhos verdes, uns secos, carnudos e sozinhos lábios, uma desconfortável barba com alguns dias de vida e um desleixado cabelo que precisa seriamente de ver o chão de uma barbearia. Para quem te conhece, essas são imagens associadas a alguém que têm de ver a rir, alguém que não tem problemas. Para quem te conhece, a imagem que vês no espelho é mais uma das imagens que lhes preenche a pintura de cada dia. Para essas pessoas, uma vez adereço, a figura que tu vês no espelho pode ser bonita ou horrível, desconfortável ou tranquilizadora. Mas tu não a vês dessa perspectiva, pois hoje apenas consegues atentar no modo como ele se apresenta reflectida e desamparada à tua frente. Tentas ver para além do reflexo mas não consegues. Vais dormir sentindo que há muito que podes fazer por aquela terna figura que se mostra no espelho. Respiras fundo e tentas não pensar quão idêntico ao dia de hoje o amanhã será.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Vais adormecer com o mesmo peso dentro da cabeça e com o mesmo sufoco a mastigar o teu peito. Com alguma sorte, acordas diferente. A chuva pode ter caído durante todo o dia, mas quem sabe de onde podem aparecer os abrigos mais improváveis. Tudo o que tens a fazer é encontrá-los.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116554304442637588?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116554304442637588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116554304442637588&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116554304442637588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116554304442637588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/12/o-espelho.html' title='o espelho'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116534030626000544</id><published>2006-12-05T17:33:00.000Z</published><updated>2006-12-05T17:38:27.353Z</updated><title type='text'>má sinfonia</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;És confiante. Tomas as decisões que precisas com uma determinação impossível de bater. És inteligente. Não deixas que ninguém tome por ti decisões para as quais sabes ser o melhor a aferir. És ponderado. Saber que decisão tomar e ter determinação para a pôr em prática carece de uma reflexão exaustiva, o que também sabes fazer. E no entanto, tens uma vontade inconcebível de deitar tudo a perder, uma necessidade insubstituível de destruir tudo aquilo que te faz bem. Já não consegues ser feliz sem ao mesmo tempo te sentires miserável. Achas que não mereces nada daquilo que por direito é teu e por isso destróis tudo o que te é oferecido. Achas-te um cancro, uma imperfeição que merece ser abatida e por isso escondes-te atrás de tudo aquilo que a ti se apresenta como um subterfúgio momentâneo e apetecível. Concretamente, já não consegues decidir a que ritmo queres pautar os teus dias, porque todos os eles acabam por se parecer com a mesma música arranhada e a semana a nada se assemelha àquela grande sinfonia que sempre imaginaste ter tua.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;És confiante, inteligente e ponderado. Além do mais, encaras a tua vida de uma perspectiva com a qual pouca gente se identifica. Porque não usar então isso a teu favor?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116534030626000544?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116534030626000544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116534030626000544&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116534030626000544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116534030626000544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/12/m-sinfonia.html' title='má sinfonia'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116533927167595754</id><published>2006-12-04T17:18:00.000Z</published><updated>2006-12-05T17:22:24.373Z</updated><title type='text'>uma de cada vez</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Chegou a casa com a roupa ensopada. O dia nasceu soalheiro e, por isso, não lhe ocorreu pegar num dos muitos guarda-chuvas que tinha junto da saída do apartamento. Entre o nascer do dia e a hora a que chega a casa já muito se passou. Dissolvido nas almofadas sob a sua cama, de portátil assente no colo e com as gélidas mãos ocupadas com uma grande caneca de leite com chocolate quente, relega o resto do dia de hoje ao descartável, a todas as tarefas que não peçam mais dele do que uma respiração estável e constante. O dia de hoje, tal como todos os outros, foi longo. Maçador. Por ele os dias seriam mais curtos, gosta de dormir. Gosta de dormir mas sente-se inútil quando passa demasiado tempo na cama o que, a acontecer, regra geral, se traduz numa acesa discussão rematada por uma auto-flagelação irrisória. Nunca resulta, pois volta sempre a dormir de mais no dia seguinte. A fraqueza é um fardo insuportável. De qualquer das maneiras, ter dias longos implica saber ocupa-los bem e essa é mais uma das coisas que ele não sabe fazer. Chegou à conclusão que é no saber ocupar os dias que está o verdadeiro saber de ter uma vida normal. Não quer pensar, equacionar e questionar. Gostava de levar uma vida normal, sem complicações à sua volta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não vai conseguir. O mundo é mais duro do que ele, pedindo-lhe mais do que aquilo que ele quer realmente dar. Perdeu a vontade de dar valor às coisas, deixando-as ficar para trás uma de cada vez, não querendo ter mais nada da vida do que a sua própria consciência de que as coisas não deviam ser assim. Chegou a casa ensopado, e assim irá continuar. Não vai conseguir.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116533927167595754?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116533927167595754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116533927167595754&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116533927167595754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116533927167595754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/12/uma-de-cada-vez.html' title='uma de cada vez'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116506724839890311</id><published>2006-12-02T13:40:00.000Z</published><updated>2006-12-02T13:47:29.016Z</updated><title type='text'>inconsciente auto-destruição</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Nascemos para destruir. Pensem bem, sem nós neste planeta, a vida era perfeita. Não existiriam birras, chatices, complicações, guerras e mortes a lamentar, apenas bichos simpáticos a alimentarem-se de outros bichos simpáticos, plantas para alimentar outros bichos simpáticos e água e sol para alimentar as plantas que alimentam alguns dos bichos simpáticos. Todos viveriam felizes, uma vez que nenhuma criatura teria noção de que estava viva. Seria simples e seria bom. Mais nada. &lt;br /&gt;No entanto, tinha de aparecer o Homem, com o seu mau feitio, com a sua inacreditável vontade de querer ser melhor e mais perfeito do que era há cinco minutos atrás e com isso, veio a roda, a escravatura, o amor, a inquisição, o telemóvel, as armas e a guerra. Não podíamos ser simplesmente como os outros animais, que muito se divertem sem o saber. Não, tínhamos de complicar tudo e inventar conceitos, ter ideias, inventar problemas, fazer juízos. Com isso, destruímos tudo o que havia de bom e o pior de tudo é que ninguém sabe ao certo para quê. Mais, como se já não nos bastasse destruir tudo o que nos rodeia, temos obviamente de consumir tudo o que nos faz seres excepcionais, como se tivéssemos uma enorme determinação na auto-destruição. Aqui estás tu, a duas semanas de acabar os trabalhos que se foram arrastando nos últimos meses, sem ter a mínima ideia de para que os estás a fazer. Não gostas do rumo que a tua vida tem vindo a levar nos últimos anos. No entanto, por muito obtuso que tenhas sido, ainda vais a tempo de começar de novo. Podes ser melhor que os outros nisso, agora que chegaste à conclusão que tudo o que tinhas adquirido está errado, podes criar tu as tuas regras. Afinal, qual é a vantagem de vivermos a contra gosto? Devias mudar. Vais mudar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Vais?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116506724839890311?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116506724839890311/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116506724839890311&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116506724839890311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116506724839890311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/12/inconsciente-auto-destruio.html' title='inconsciente auto-destruição'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116468048472459366</id><published>2006-11-28T02:16:00.000Z</published><updated>2006-11-28T02:21:24.733Z</updated><title type='text'>nas margens do sena</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Encontrei-te à mesa de um restaurante nas margens do Sena, vestida com o teu elegante vestido negro, e os resplandecentes cabelos soltos. Não te conhecia, mas arrisquei sentar-me na mesma mesa posta para dois. Desastrado, entornei o teu copo de vinho enquanto tirava o casaco. Não fizeste caso, sorriste e pediste mais dois copos daquele maravilhoso tinto. Disseste-me o teu nome, pediste-me o meu. Era uma noite atípica, Paris estava às escuras, apenas o reflexo do céu estrelado num rio que ousou parar o seu curso, e uma estranha luz que emanava daquela grande ramada circundante à nossa mesa. Até mesmo as estrelas que nos refulgiam no céu comportavam-se com misteriosos modos, impelindo-nos para a melhor noite das nossas vidas, como todas aquelas estrelas de milénios há muito passados já viram ao longo de eternidades. Enquanto nos maravilhamos com aquele molho de pimenta e café que acompanhava o jantar, contaste-me a história da tua vinda a Paris. Desculpa-me por dela não me recordar. No início, detive-me no teu gracioso olhar, depois, perdi-me no teu acanhado nariz e nos teus deleitosos lábios, no teu frágil gesto a colocar a alça do vestido, que teimosa e repetidamente tombava, de volta ao seu lugar e no modo assarapantado como acomodavas o cabelo sempre que ele te atrapalhava a conversa. Quando paraste de falar beijei-te. Ao mesmo tempo, a doze passos de onde estávamos sentados, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jeff Buckley&lt;/span&gt; surgiu, começando a cantar o seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Grace &lt;/span&gt;desde a deliciosa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mojo Pin&lt;/span&gt; até à arrepiante &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dream Brother&lt;/span&gt;. Ao tocar o último acorde, caíamos prostrados sob o peso dos nossos corpos, derrubando aquela pequena mesa para dois num restaurante ladeado pelo rio mais famoso do mundo. Podiamos ter começado a nossa vida ali, no chão de Paris. Mas os mortos jamais terão direito a uma nova vida. Mortos, envenenados por um sonho.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116468048472459366?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116468048472459366/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116468048472459366&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116468048472459366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116468048472459366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/nas-margens-do-sena.html' title='nas margens do sena'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116465998168802679</id><published>2006-11-27T20:36:00.000Z</published><updated>2006-11-27T20:43:13.600Z</updated><title type='text'>guerras</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Uma luta constante perpetua-se na tua cabeça. No cimo de uma colina estão os ares de mudança, prontos para atacar toda a indiferença contida numa apática espera ao longo de um planalto desprovido de interesse. Todos conseguem ver que a mudança é mais forte que a indiferença, que um duelo originaria uma vitória fácil da transformação a partir da displicência da indiferença, mas porém, ninguém sabe o porquê de tal duelo tardar a acontecer. Sente-se a vontade da mudança a aumentar a cada segundo, ao mesmo tempo que a indiferença se acomoda à monotonia diária, à sua falta de orgulho e objectivos. Observam-se ímpetos falhados de alguns guerreiros da reforma que acabam feridos pela própria descrença nas suas atitudes. A indiferença é rainha no oceano das tuas deliberações, torna-se a venda em frente aos teus olhos. A mudança poderia avançar em força e vencer, mas algo a trava. O que será?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tornas-te apático, mesmo sabendo que está errado. Em momentos assim não há muito a que te possas agarrar e em que possas pensar. Não sabes qual é o próximo passo a dar e, no entanto, se me perguntares, de imediato te respondo. Tu és é parvo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116465998168802679?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116465998168802679/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116465998168802679&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116465998168802679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116465998168802679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/guerras.html' title='guerras'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116446659797213653</id><published>2006-11-25T14:50:00.000Z</published><updated>2006-11-25T14:56:38.063Z</updated><title type='text'>o perfume</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Dás por ti profundamente inebriado por uma descarga de energia repentina, preso nas redes de um só cheiro. Sabes que não precisavas de qualquer súplica para que te abandonasses neste estado perpetuamente pois de bom grado assim permanecerias até que os sentidos deixassem de possuir a força necessária para se cometerem aos desejos do corpo. Ajoelhado à sua frente imploras-lhe que fique, afastas a razão e deixas-te levar pelas ondas de perdição que a pouco e pouco se apoderam de toda a tua vida. Precisas deste impetuoso narcótico para te manteres aceso, seguro de todas as tuas capacidades motoras. Este perfume encantador não te deixa, fixou-se por todas as entranhas do teu miserável cadáver para que mesmo longe da sua alma tu tenhas a necessidade última de, a ela, te aprisionares. Estás em êxtase, se te fosse possível derreter como um cubo de gelo, há muito que serias um enorme lago uniforme no chão que aquele génio celestial diariamente percorre. &lt;br /&gt;São estes os pensamentos que mal te deixam adormecer, aconchegado naquele gigante edredão de penas. Mas adormeces. E é quando acordas que entendes que, como tudo o resto que é bom, já passou, estando agora algures entre as folhas do desconhecido. Tudo jaz como antes de sentires aquela vertiginosa fragrância com uma subtil oscilação de amêndoas e madeira velha. Acabou, está tudo na mesma e nada mais ganhaste do que uma reconfortante memória de cada vez que te for oferecido o mesmo perfume. Vais receber a oferta e cair na imensa ternura. O bálsamo será o semblante de alguém ou aquelas férias que já não te faziam falta recordar. Mas acabará por aqui. Nada mais que uma reminiscência o que, de resto, já era de esperar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116446659797213653?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116446659797213653/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116446659797213653&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116446659797213653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116446659797213653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/o-perfume.html' title='o perfume'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116437855194804199</id><published>2006-11-24T14:27:00.000Z</published><updated>2006-11-24T14:29:11.956Z</updated><title type='text'>vinil</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;O som da agulha que percorre o empoeirado vinil. Para, põe de lado tudo o que estás a fazer. Fecha os teus olhos com toda a serenidade que te for possível de momento, controla a tua respiração e sente a melodia agreste da agulha a deslizar pelo negro disco. A doçura filarmónica a trinta e três rotações leva-te à pacificação completa, distante de todos as tuas dúvidas e considerações obscuras que te vêm atordoando nos últimos tempos. Mas está claro, tu não tens nenhum LP para apreciar tudo isto e muito menos um gira-discos, foste levado pelas ideias de todos os outros, sem sequer considerares que apesar da maioria seguir um caminho diferente e bem mais consensual, a agulha sobre o plástico poder-te-ia transportar para lugares dentro de ti impossíveis de atingir com um qualquer CD na mão. Sem dúvida que o ruído involuntário faz maravilhas aos ouvidos daqueles que realmente importam, mas será que é de música que tudo isto se trata? Ainda estás a tempo de trocar o CD pelo vinil.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Alberto Gedeão escreveu que o sonho comanda a vida. Antes dele, muitos tinham exprimido a mesma ideia por palavras idênticas e muitos outros vieram e virão a seguir sentindo e experimentando o mesmo. Não tendo a menor dúvida que a grande maioria das pessoas é comandada por muita coisa que não os seus sonhos e aspirações, umas porque não têm alternativa, outras porque nunca sentiram necessidade de se abrir a eles e um último grupo porque inexplicavelmente vive sem qualquer sonho ou desejo, tenho também as minhas ambições, grandes o suficiente para me preencherem e pequenas quanto baste para que não as ache impossíveis de realizar. Resta saber se irei ter a bravura suficiente para as pôr em prática. Se vou conseguir fazer a maldita troca entre CD’s e vinis, tendo em conta que a primeira opção não me sacia.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116437855194804199?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116437855194804199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116437855194804199&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116437855194804199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116437855194804199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/vinil.html' title='vinil'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116424163445474500</id><published>2006-11-22T23:59:00.000Z</published><updated>2006-11-23T00:29:48.606Z</updated><title type='text'>sobrou o nada</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Maldito sejas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Levaste-nos a vontade de construir uma família, de viver para os nossos filhos e de nos fazer sentir bem perante todos aqueles que nos rodeiam. Levaste-nos a incerteza, o pudor e seu rubor, a paixão, o romance. Trinchaste todo o amor que se tinha mantido inatacável, sem nunca se ter deixado decifrar por todos aqueles que sempre o sentiram sem ver ilustrada a sua causa. Acabaste com o olhar crítico perante o mundo, com a contemplação atenta e emocionada de toda a complexidade com que o acaso soube edificar toda a natureza. Foi-se o cheiro de todas as noites frias, o sabor de uma chuva que agora nos cai seca no regaço e o som de uma multidão deslumbrada que hoje jaz apática num qualquer canto fortuito, todo ele repleto de um negrume difícil de comportar. Tiraste-nos a vontade de reflectir sobre aquilo que queremos, a aptidão para conceber tudo o que imaginamos, os horizontes que se abriam para uma nova jornada cheia de força e inquietude. Destruíste o amor-próprio, o ego, o super-ego e o alter-ego e, uma vez desfeitos, espalhaste as suas cinzas pelo mundo, não com o intuito de as ver crescer numa folha de laranjeira mas sim para que todos o pudessem calcar e desprezar. Estragaste a vivacidade dos mais novos e a felicidade moribunda daqueles para quem o tempo já há muito se tornou num jogo de constante ironia. Consumiste toda a feliz ignorância das crianças, o fulgor entusiasta dos adolescentes e a fortuna dos casais. Sem qualquer pejo, arruinaste o brilhantismo do ser.&lt;br /&gt;Quando terminaste, e embora o esforço, nem tu foste capaz de sorrir. Entendeste que nada havia mais para levar, acabar, tirar, destruir, estragar ou consumir. Empalideceste, cerraste-te sob o teu abdómen e choraste o pranto do mundo. Aí, experimentaste a apatia que tão bem soubeste oferecer a todos. Sofreste a mesma morte que tão bem soubeste dedicar a todos os outros. Perdeu-se toda a vida, resta agora a vacuidade. Sobrou o nada. Maldito sejas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116424163445474500?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116424163445474500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116424163445474500&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116424163445474500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116424163445474500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/sobrou-o-nada.html' title='sobrou o nada'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116413821135544442</id><published>2006-11-21T19:42:00.000Z</published><updated>2006-11-21T19:45:44.016Z</updated><title type='text'>medo de agulhas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Agulhas, inúmeras agulhas que astuciosamente penetram na cabeça, não deixando espaço para qualquer reflexão mais elaborada. A única realidade que a tua cabeça suporta neste claro instante é um insuportável desconforto. Para além das agulhas, claro. Sabes que estão lá porque dói, sabes que são muitas por ser impossível decifrar as fronteiras dessa mesma dor. Depois, segue-se a fossa cheia de areia e pedras irregulares no qual o teu crânio fica num curto instante submerso. À dor associa-se assim uma pressão exagerada, incapacitante. Já não te bastava a dor, agora tens de ser forte e aguentar com a eminente detonação de todos os teus nervos. Os membros dão de sim, sem o seu órgão motor nada podem fazer. Perdes a determinação necessária para te mexer, os estímulos que recebes não provocam em ti qualquer diferença. E o estômago. O estômago, que não conhece qualquer alimento há horas, dá ares da sua graça dizendo explicitamente que não tolera que se pense, se quer, em comida. Está frio. Não, está calor, é debilitante! Como pode estar calor? Estás a tremer! Está frio. Não, não, é impossível que tenhas frio, estás a suar, pobre diabo, estás com calor. Se calhar estás doente. Sim, estás doente. Inconveniente doença esta, que te deixa fraco de espírito. Começa ligeira, sem deixar muitos rastos, preenchendo o teu pensamento com dúvida. Tão depressa te sentes doente como te deparas com o teu melhor estado de espírito. Já estás bem de novo, sorris como nunca, nada de mau se atravessa no teu caminho, queres abraçar toda gente, correr sem parar, mas se ainda agora estavas tão mal e agora já nada sentes, isso só pode significar doença. E voltam as agulhas, as pedras, a perda de apetite e de desejo de movimento, de vida. E era tão fácil ultrapassar tudo isto de uma vez, bastava que de um minuto para o outro te levantasses e ocupasses a tua pobre cabeça com outra coisa que não a tua doença. Bastava que ignorasses essa miserável abundância de pensamentos disparatados e acordasses para o vazio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não é assim que nos educaram? Se algo te atormenta, tens apenas que o esquecer, passar um pouco de água por cima para que os problemas se afastem. Mais tarde ou mais cedo já não te lembras de que as agulhas apareceram por uma razão que não era de todo inválida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116413821135544442?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116413821135544442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116413821135544442&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116413821135544442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116413821135544442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/medo-de-agulhas.html' title='medo de agulhas'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116406373794587717</id><published>2006-11-20T22:59:00.000Z</published><updated>2006-11-20T23:02:17.953Z</updated><title type='text'>ansiedade</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Finalmente adaptamo-nos ao monótono barulho do motor. Já há muito que desligamos o rádio e deixamos de falar com os restantes ocupantes da viatura, o cansaço apoderou-se finalmente de nós ao fim de algumas horas de permanente viagem. Desde o início da jornada, o ambiente que rodeia a estrada deve ter mudado umas duas dezenas de vezes, ficaram-me bem marcados na memória os dois grandes lagos naquilo que penso ter sido o início da viagem, uma cordilheira que se exibia infinita e os campos de sobreiros que se perdiam de vista. Tudo correria bem exceptuando alguns factos que convém assinalar. &lt;br /&gt;Nenhum de nós se consegue lembrar onde começou a viagem e para onde nos estamos a dirigir. Das centenas de quilómetros que já passaram pelas rodas deste carro, em nenhuma delas se apresentou uma saída. E pior, podemos afirmar que estamos perdidos, mas não podemos fazer nada em relação a isso, uma vez que o carro parece seguir sozinho, respondendo a subtis mudanças de velocidade ou de direcção, mas sem nunca se deixar guiar por nós. Estamos enclausurados num carro, sem memória do nosso passado mais distante e sem qualquer vislumbre daquilo com que nos podemos deparar. Estamos presos a esta viagem, sem sabermos porquê.&lt;br /&gt;Entrelaço as mãos, sento-me por cima das pernas, volto a coloca-las no chão, estico-as para cima do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tablier&lt;/span&gt;, fecho os olhos, tento entender porque raio estou aqui, adormeço, volto a acordar, viro-me para o outro lado, adormeço outra vez, acordo por diversas vezes mas tudo permaneceu igual. Quero sair daqui, sair desta estrada. Mas não consigo. Estou impaciente e revoltado, confuso e completamente transtornado.&lt;br /&gt;Ao fim de uns dias de viagem, já todos arranjaram coisas para fazer. Um está a escrever um livro, outro passa o dia a música que vai passando no auto-rádio e os dois últimos começaram a descobrir as maravilhares do sexo oposto. Sobro eu, no meio deste microclima, a tentar entender porque raio estamos nós numa estrada que nos leva a nenhures. Não pode ser só para passar o tempo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Forma-se o comum nó na garganta, ao mesmo tempo que tenho a sensação de que o coração deixou de bater. Sei que sinto alguma dificuldade em respirar, mas a verdade é que também não tenho grande vontade para o fazer. Não consigo estar parado e, no entanto, nada do que faça me parece acertado, nada me satisfaz, não consigo ficar saciado. A agonia provocada pela ansiedade. A ansiedade de querer descobrir qual é o próximo passo a dar. O passo que poderá mostrar-me que posso ser útil para qualquer coisa. O sentimento de inutilidade é sem dúvida alguma um dos piores que podemos experimentar. Sentirmo-nos como inválidos, e tudo porque nos dignamos a reflectir sobre o facto de estarmos a agir como é presumido e não como queremos. Porque é que não posso ser como os outros quatro?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Porquê?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116406373794587717?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116406373794587717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116406373794587717&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116406373794587717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116406373794587717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/ansiedade.html' title='ansiedade'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116370163075170318</id><published>2006-11-16T18:23:00.000Z</published><updated>2006-11-16T18:27:10.763Z</updated><title type='text'>que se retirem todas as mãos dos deploráveis bolsos</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Que se retirem todas as mãos dos deploráveis bolsos, faça-se com que todas as televisões e computadores impludam numa visão eternamente memorável e reconfortante, que se erga a maior revolução de sempre contra o abismo provocado pelo maldito tédio! Sorrisos deste mundo, abram-se diante a chuva de especiarias nunca antes por nós experimentadas, a torrente de orgasmos mais arrebatadores de sempre e toda a abundância de cores que daqui em diante se vai abrir perante todas as almas enfadadas deste mundo e de todos os demais que existirem à nossa volta, ocultados pela nossa complacência para com a falta de criatividade! Sintam a energia que a felicidade dos outros transmite, juntem-se a eles, cantem, destruam as vossas gargantas com eles e por eles! Ouçam os acordes dados pelo extraordinariamente desafinado mas sublime piano deste eminente motim, aspirem bem fundo a essência deste perfume com que todos os homens e mulheres se cobriram para o dia que agora nasceu, que se corra pelas ruas, se calque todas as folhas que o Outono fez cair e toda a merda que os animais dos donos de todos os cães do planeta decidiram não retirar do passeio e, mais importante que tudo, que se siga o seu exemplo e se quebre todas as regras cujo virtuoso bom senso contemporâneo permitir. Não possibilitem que nenhum ser reste sem o amor de outro ainda mais belo que ele, façam caso que sejam lidos todos os livros da terra no mais curto espaço de tempo possível, explorem tudo o que julgam conhecer o mais profundamente possível, suem, por favor, suem e sintam todo o vosso corpo a ceder à ininterrupta cadência da revolta. Elevem-se o mais que puderem e admirem bem o mundo que desde sempre esteve aqui para vos regozijar e em vez alguma ter pedido fortuna em troca. Conciliem-se com tudo o que vos atormenta e, se necessário, ergam as vossas almofadas, mais alto, o mais alto que vos for possível, lutem com elas, alimentem o mundo com o vosso próprio corpo se essa for a única solução, façam todos os outros à vossa volta chorar compulsivamente de tanta alegria presa num corpo tão pequeno e por fim morram. Desapareçam, para aí se permitirem por fim a dizer&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não foi em vão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116370163075170318?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116370163075170318/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116370163075170318&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116370163075170318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116370163075170318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/que-se-retirem-todas-as-mos-dos.html' title='que se retirem todas as mãos dos deploráveis bolsos'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116363533681180394</id><published>2006-11-15T23:07:00.000Z</published><updated>2006-11-16T00:02:18.503Z</updated><title type='text'>dilúvio</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Lá fora o céu desaba, a chuva decide misturar-se com a escuridão avassaladora, típica de uma cidade que se oculta mal os seus ponteiros fazem esquecer as oito e meia da noite. Como sempre acontece quando o clima se enclausura, escolho uma música um pouco mais soturna, que irremediavelmente me envie em direcção ao cosmos, bem por cima dessas nuvens diluvianas. Quando era mais novo, adorava correr durante as tempestades mais bizarras. Fazia questão de despender do guarda-chuva, esse obstáculo entre nós e a pureza da qual os aguaceiros nos cobrem, nunca me importando de quão ensopado poderia ficar. Muitas foram as ocasiões, principalmente durante o secundário, em que passei aulas de química inteiras em frente a um aquecedor, à espera que toda a indumentária deixasse finalmente de gotejar.&lt;br /&gt;Presentemente, não faço nada disso. Ao contemplar o exterior, pela janela, e a ver toda a chuva que cai em catadupa, sem qualquer vontade de cessar, imagino-me a caminhar pela cidade dentro e em escassos instantes estou novamente dentro do meu quarto, bem quente e enxuto. Sempre tive uma predilecção por estar dentro das coisas, de agir, em detrimento de ser um mero espectador. Pois para esta chuva sou agora uma eterna testemunha e não um actor com o qual ela contracena. Será que, aos poucos, me tornarei assim com tudo?&lt;br /&gt;À medida que crescemos parece que nos tornamos mais ausentes em relação à vida, mais cerebrais e menos espontâneos, mais carentes de calor e menos de adrenalina. Prosperamos, é certo, mas será que evoluímos na direcção certa? De todas as vezes em que não arriscamos, em que não nos aventuramos por algo que sempre gostamos de fazer, será que estamos no caminho certo? Nos últimos tempos, coloquei de parte enumeras coisas que sempre me deram um gosto imenso fazer. Fi-lo porque precisei, pois estava carente de uma mudança um pouco radical e se é certo que me tenho sentido bem com isso, também não são poucas as vezes que ponho em causa algumas das minhas decisões. &lt;br /&gt;Hoje estou em casa, com as minhas músicas nostálgicas, o meu escuro inato e um incenso envolvente e precioso, pois preciso deste espaço para mim. Hoje já tive, por mais do que uma vez, saudades de coisas que nunca mais irei ter. Já senti a falta disto, dele, daquilo e de ti. Mas hoje sinto-me também honrado com esta nostalgia, com esta observação estática contrária à minha natureza impulsiva e envolvente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Esta noite vou ser um mero observador, contemplar o céu que desaba.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116363533681180394?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116363533681180394/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116363533681180394&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116363533681180394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116363533681180394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/dilvio.html' title='dilúvio'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116354351482486016</id><published>2006-11-14T22:27:00.000Z</published><updated>2006-11-14T22:33:48.060Z</updated><title type='text'>retardado, ainda que moderado</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Tenho alguma curiosidade em fazer um teste de QI a sério – tu sabes, algo que não seja um daqueles questionários parvos da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Internet &lt;/span&gt;– e isto porque há em mim a ligeira sensação de que o resultado iria andar à volta dos 50, o que, segundo um índice qualquer que encontrei na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;wikipedia&lt;/span&gt;, indicaria retardação mental moderada. Passo a explicar.&lt;br /&gt;Por dia passo uns 40 minutos a deslocar-me de um qualquer sítio para outro a pé. Tempo morto, portanto. Também perdi o hábito de almoçar com a televisão ligada, por isso são mais uns quinze minutos sem nada para fazer – isto porque por muito que eu ache piada às vezes em que realmente saboreio a comida, decididamente não fui fadado para tal actividade. Gostava de ser uma pessoa mais ponderada a comer, mas acho que o apetite me ganha aos pontos. A juntar a estes (quarenta mais quinze) sessenta e cinco pontos, tenho as vezes em que estou deitado na cama a fazer absolutamente nada. E nessas alturas, apesar de dizer para mim mesmo, a início, que estou a ouvir música, cedo perco a atenção e o meu pensamento começa a divagar. Posso por isso dizer que por dia, perco umas duas horas a pensar, momentos mortos em que não estou realmente a fazer nada.&lt;br /&gt;Já por esta última frase podem reparar como sou um verdadeiro retardado mental, porque acabei de afirmar que pensar, além de ser uma perda de tempo, não é realmente uma actividade. Mas interpretações textuais exageradas à parte, deixem-me lá explicar o porquê de me achar verdadeiramente merecedor de um QI abaixo dos 55. Sempre que tenho esses momentos em que o meu corpo entra numa actividade extremamente enfadonha e mecânica, o meu raciocínio como que entra em modo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;idle&lt;/span&gt;. Dou por mim a começar a pensar em algo extremamente produtivo, como tentar inventar maneiras de salvar o mundo sozinho – é pura verdade, não estou a dizer isto para me sentir bem enquanto o escrevo, eu gostava mesmo de inventar qualquer coisa que salvasse o mundo. Passados 40 segundos de ter iniciado a minha batalha de argumentos interna, eis que uma qualquer parte do meu cérebro se lembra que a Mónica Sintra tem uma música bastante parva, em que diz que vai falar de mulher para mulher. Raios, a Mónica Sintra nunca salvará o mundo. Esforço-me por contrariar estes pensamentos involuntários – “Porque é que isto veio parar cá dentro? Sai! Desaparece, deixa-me salvar o mundo!”. Quando consigo livrar-me do conceito Mónica Sintra, já não me lembro do que estava a pensar anteriormente. Então, a minha mente começa a devanear sobre o que tinha comido ao almoço, que tinha muito sal, diz ela de seu juízo. Do sal passo para o mar, já não dou uns mergulhos à muito tempo. E por falar em tempo... &lt;br /&gt;Isto acontece realmente, o exemplo de salvar o mundo é recorrente e o da Mónica Sintra aconteceu hoje mesmo quando tinha acabado de ler o último capítulo do “Perfume” no autocarro e estava a pensar como tinha gostado do livro e da ideia, que corroboro, de que somos movidos pelos odores deste mundo. É desanimador ensaiar um fio de lógica dentro da minha cabeça e saber que em vinte, trinta segundos ele vai descambar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Resguardo-me na ideia de que ser um retardado mental, ainda que moderado, é bom. Pelo menos sei que da próxima vez que me chateie, por muito mau que seja o problema, pouco tempo irá passar até ter um qualquer vislumbre de pensamento irrisório que me vai levar para bem longe das irritações que este mundo provoca.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116354351482486016?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116354351482486016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116354351482486016&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116354351482486016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116354351482486016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/retardado-ainda-que-moderado.html' title='retardado, ainda que moderado'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116344379741569735</id><published>2006-11-13T18:48:00.000Z</published><updated>2006-11-14T09:33:11.166Z</updated><title type='text'>o dia</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Está decidido. Comprei um carro usado, cujo número de anteriores donos deve rondar as duas dezenas, uma tenda de campismo nova onde me espero sentir como se não deixasse o meu quarto e algumas meias – não sei porquê, mas algo me diz que as meias são importantes. Fecho a porta de casa com o intuito de não mais voltar a abri-la, verdade seja dita, nunca gostei desta porta, por isso também não há razões para sentir a sua falta. Acho que tenho tudo. Sim, tenho tudo. E mesmo que não tenha, não importa, pelo menos tenho as meias. Cá fora faz frio, o céu está limpo mas ainda ostenta aquela mistura de azul, amarelo e rosa própria das manhãs que ainda não deixaram as horas passar o suficiente para ver o sol nascer. Todos os carros estão cobertos de geada menos o meu. Não estranho. Entro no carro, pouso as coisas no banco de trás. Porra, faz frio, podia ter escolhido um dia melhor para mudar a minha vida. Deverei deixar tudo isto para amanhã? Afinal de contas tomar uma decisão em cinco minutos, apesar de bastante natural em mim, não é coisa de que me deva orgulhar abertamente. Ponho &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sigur Rós&lt;/span&gt; no auto-rádio, ligo o carro, aqui vou eu. Poucos são os carros que se cruzam por mim, não que faça qualquer diferença, vou ter bastante tempo para ver passar muitos deles durante os próximos meses. No entanto, é incontestável que me sinto orgulhoso por ser dos poucos condutores na estrada. Afinal, tive a força de vontade suficiente para sair da cama bem cedo e mudar tudo, eles não. Conduzo sem parar, passo por todo o tipo de nuvens e odores, sabe bem esta liberdade. Almoço numa tasca de uma qualquer aldeia no meio do Alentejo. Penso em como têm sorte todas estas pessoas que vivem isoladas de tudo o resto, que partilham apenas com meia dúzia de gente igual a elas este nicho do mundo, onde parece que a vida problemática e fútil das grandes cidades nunca há de chegar. Ao fim da noite estou a chegar ao parque de campismo em Granada. Será ai a partida para a verdadeira aventura, deixar tudo para trás, o que na verdade não é assim tanto, e partir para o mundo. Se ele existe é para que eu o veja, não para que fique à espera de ouvir falar dele. Vou ver, cheirar e tocar cada pedaço deste planeta, e só vou parar quando morrer de cansaço. Ao menos morri a fazer algo que me dava ânimo. Um forte ruído de frequência enervante interrompe toda a linha de pensamentos. Sinto-me confuso, meio inconsciente e com frio, tapo-me. Tapo-me? Mas não estava a conduzir algures na Andaluzia?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ah.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não faz mal, o sonho pode esperar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116344379741569735?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116344379741569735/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116344379741569735&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116344379741569735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116344379741569735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/o-dia.html' title='o dia'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116327792732698412</id><published>2006-11-11T20:43:00.000Z</published><updated>2006-11-11T20:45:27.333Z</updated><title type='text'>o desconforto</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Sempre fui da opinião de que, na eventualidade de estarmos a fazer algo a contra-gosto, e uma vez que a vida é curta e deve ser aproveitada da melhor maneira possível, o melhor será mesmo pôr o que quer que seja que nos está a incomodar de lado e partir para outra o mais cedo possível. Constantemente assim pensei, fiz e disse aos outros para o fazerem também. Repara, apesar de toda gente procurar um sentido para a vida, – devido ao hábito de causa/efeito em que estamos permanentemente envolvidos – a única certeza que podemos ter é o de sermos nós os criativos na obra desse mesmo sentido. Vivemos por produto do acaso mas é certamente demasiado penoso pensar deste modo e é por isso que nos obrigamos a orientar a nossa vida para determinados objectivos a que nos propomos atingir, chegando à conclusão que, no caso de os atingirmos, a nossa vida fez todo o sentido. No entanto, quando morrermos, não há sentido de vida, moral ou legado que nos valha. Estamos mortos, fazemos parte da terra e é para ela que serviremos de alimento, nada mais do que isso. Ora, se a morte é o fim, e se para nós não vai haver nada mais que isso, tentemos ao menos aproveitar os 70, 20 ou 100 anos que por aqui andamos. Realmente aproveitar. Em vez de sobrevivermos, experimentemos viver.&lt;br /&gt;É aproximadamente neste ponto que o meu dia a dia actual me entristece. Por muito pequeninos que nos possamos sentir, existem coisas por de mais que nos podem prender a atenção e fascinar durante uma vida. Se a evolução nos facultou dos sentidos que dispomos, porque é que os utilizamos tão mal? Em vez de nos preocuparmos em sentir todo o mundo que nos rodeia, a experimentar cada bocadinho dele, passamos o tempo a contemplar mediocridades, a arranjar problemas com quem nos rodeia e a tentar arranjar ocupações para passar o tempo. O que mais me chateia não é que os outros sejam assim, mas que eu também seja assim! Não me importa que tu o sejas assim, nada mesmo, se és feliz como vives! Mas eu não sou, eu preciso de experimentar o mundo, preciso de conhecer o máximo que possa, de o sentir, de o cheirar e saborear! Preciso porque não me faz qualquer diferença ser rico ou pobre, obter ou não reconhecimento, deixar ou não deixar filhos - arre, mesmo que o mundo inteiro decida deixar de ter filhos, quem é que vai restar para se queixar e censurar? - e muito menos terei qualquer problema se deixar uma imagem positiva ou negativa quando morrer.&lt;br /&gt;Não pedi a ninguém para viver, há 21 anos atrás estava morto e não me queixava e não espero queixar-me quando o coração deixar de bater. Mas já que aqui estou, devia aproveitar cada dia para conhecer algo novo, devia soltar-me daquilo que tenho medo e partir à descoberta do máximo de experiências que posso obter.&lt;br /&gt;Não posso pedir que todos pensem da mesma maneira que eu, mas isso não me vai fazer deixar de pensar que os valores pelos quais a maior parte das vidas se regem estão completamente trocados. O que eu devia fazer, era deixar o curso que realmente desprezo e a casa que me deixa claustrofóbico, e partir à descoberta do que quer que esteja à minha espera.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pois é. Gostava de ter a coragem que me falta, digo para mim mesmo. Ser cobarde é exasperante.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116327792732698412?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116327792732698412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116327792732698412&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116327792732698412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116327792732698412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/o-desconforto.html' title='o desconforto'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116306899177678435</id><published>2006-11-09T10:40:00.000Z</published><updated>2006-11-09T10:43:11.786Z</updated><title type='text'>humores</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;De tempos a tempos, não te sentes farto de ver pessoas? Acordas um dia e dás-te por feliz por estar sozinho em casa, sem ninguém a olhar para ti ali ao teu lado, sem ter de falar com outros ou partilhar o teu espaço com alguém. Será que acontece a toda gente? Uma súbita necessidade de se afastar de qualquer contacto humano, por muito importante que ele costume ser para ti. Tenho a certeza que se fosse a única pessoa à face da terra em três tempos morreria de desgosto, uma vez que eu, mais do que muitos, preciso de falar com as pessoas, olha-las, sentir reacções e estímulos. No entanto, e a tempos espaçados, preciso de estar sozinho. Então, nesses dias, acordo e dou-me feliz por ter este espaço dentro de mim, escondido do mundo, onde não há ninguém que, por muito que se esforce, possa chegar. Não preciso de ouvir nada do que o rádio ou a televisão têm para dizer, – afinal de contas não há de ser muito diferente daquilo que disse há uma semana atrás, nem daquilo que irá dizer daqui par a frente - não me faz qualquer falta saber o que é que a Dona Olinda está a contar ao Senhor Alberto na paragem do autocarro e, mais do que isso, não preciso do que o que quer que me tenham para dizer seja dito, por muito importante ou fatal que possa ser. São alturas extremamente egoístas, estas, portanto, onde o único objectivo de acordar é esconder-me dentro de uma grande carapaça que eu criei, extremamente feia para que ninguém a possa querer ou sequer reparar, e tentar passar o dia sem levantar qualquer suspeita de que o dia que passou para os outros, passou para mim também. Nestas alturas, fico extremamente irritável quando tenho de ter longas conversas com as pessoas, simplesmente não estou para isso. Apetece-me sim andar pela relva, (raios, porque é que a relva nos fascina? Não passam de umas folhas verdes despenteadas que tapam uma enormidade de terra negra e bichos estranhos!) nadar no mar ou, caso o mar esteja ocupado pelo frio, na piscina, – adicionaria ao leque de opções a banheira, mas longe vão os tempos em que ainda podia nadar dentro dela - pôr um daqueles incensos estranhos no quarto e ouvir música que não me faça aperceber que ela está no mesmo espaço que eu, ou ler algo que me transporte para bem longe do sítio onde estou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não me apetece comer, trabalhar, divertir ninguém ou dar explicações a quem quer que seja. Sei que não vai durar muito e por isso posso dar-me a esse luxo. Depois, só preciso de aproveitar o tempo da forma mais egoísta possível, porque também mereço.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116306899177678435?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116306899177678435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116306899177678435&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116306899177678435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116306899177678435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/humores.html' title='humores'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116292632789904200</id><published>2006-11-07T19:01:00.000Z</published><updated>2006-11-07T19:11:00.543Z</updated><title type='text'>impulsos</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Se quando falamos de sexo, falamos invariavelmente do impulso que pôs a Mafalda em cima do André, porque é que nos esquecemos deles para tudo o resto. Uma imensidão de impulsos eléctricos juntamente com um número ainda maior de factores exteriores dita que este texto seja escrito. Do modo semelhante, é um qualquer conjunto imensurável de energia ligado ao ambiente envolvente que dita que o mesmo texto seja lido. Veja-se os impulsos eléctricos um por um e chegar-se-á à conclusão de que eles foram criados a partir de mais uma incompreensível soma de electricidade com agentes externos. Já estes mesmos agentes – ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;factores&lt;/span&gt;, gosto de pedir sinónimos ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;word&lt;/span&gt;, neste caso também podia ter utilizado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;causas &lt;/span&gt;ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;condições &lt;/span&gt;- externos, sejam eles o sorriso da Sra. Celeste que viaja connosco no autocarro, o acidente que acabamos de ver onde o Vítor morreu ou o som provocado pelo mar, são todos eles trazidos a nós por mais impulsos eléctricos.  Se o facto de acordarmos, comermos, falarmos e pensarmos se deve apenas a energia, e se isto é regra para tudo e todos, onde raio se encontra o livre arbítrio? Não se torna triste pensar assim? Chegar à conclusão de que nada do que fazemos tem algo nosso, uma vez que foi tudo movido por impulsos. No fundo, a concepção de racionalidade não passa de algo inventado quando ainda não sabíamos que tínhamos electricidade a correr no cérebro e que, por conseguinte, não pensamos mas somos levados a chegar a conclusões através de impulsos eléctricos. Não somos iguais a um cão ou uma vaca porque os nossos impulsos são ligeiramente superiores – e por superiores não se entenda melhores – que os deles. Se segundo Decartes um animal não passa de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;machina animata&lt;/span&gt;, alguém devia ir ver se ele não está neste momento às voltas debaixo da terra, coitado, revoltado por ter vivido numa era em que foi conduzido pelas ideias contemporâneas a ter errado tão redondamente na diferenciação que fez. Afinal, ele também era uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;machina animata&lt;/span&gt;, a diferença é que os animais não podem ser conduzidos a essa conclusão, o Homem pode.&lt;br /&gt;Mas o pior desta ideia não é o facto de sermos comparados com um animal, nas últimas décadas tornou-se comum chamar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vaca&lt;/span&gt; àquela e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Boi &lt;/span&gt;àquele. Já ninguém se revolta por ser comparado por um animal – as pessoas revoltam-se sim pela conexão de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Puta &lt;/span&gt;ou&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Filho da Puta&lt;/span&gt; que a comparação acompanha. Como estava a dizer, o pior não é a comparação, mas sim o novo significado de destino. Se és movido por impulsos eléctricos e por observações que por sua vez foram ambas criadas por mais impulsos eléctricos e observações, é fácil de entender e difícil de engolir que toda a nossa vida está já desenhada algures.&lt;br /&gt;Então, bastaria que alguém inventasse uma máquina com impulsos interiores e percepções externas como entrada e uma consequência como saída, para termos uma fantástica bola de cristal criada pelo Homem, sem bruxas e adivinhos de aspecto duvidoso à mistura. Por outro lado, sem máquina, somos levados a pensar que realmente temos algo a dizer. Se eu sou mesmo bom no que faço, sou-o porque trabalhei muito para chegar aí. Se aquele é realmente mau, é-o porque nunca se esforçou o suficiente. Ninguém quer pensar sequer que, se calhar, há uma pequena hipótese de todos já estarmos predestinados pelos impulsos eléctricos que nos antecederam a fazer o que fazemos e a tornarmo-nos naquilo que nos iremos tornar um dia. E se assim for, se já estiver tudo engendrado, mais vale mesmo levantar a cabeça e olhar para a vida com olhos de quem está aqui para aproveitar tudo o que tem para aproveitar, sem se chatear em demasia com futilidades, tentando passar ao lado de todos os problemas que se aventurem pela frente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por outro lado, se o estamos a fazer, a olhar a vida com esses olhos, é porque a tal quantidade de impulsos e causas o impulsionou. Merda.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116292632789904200?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116292632789904200/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116292632789904200&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116292632789904200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116292632789904200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/impulsos.html' title='impulsos'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116282023597218746</id><published>2006-11-06T13:36:00.000Z</published><updated>2006-11-06T23:28:48.153Z</updated><title type='text'>despertar</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Seis e quarenta e sete da manhã, é o que o despertador, mudo, exibe no seu verde mostrador. As pálpebras, ensonadas, abrem-se lentamente mas tudo o resto permanece fechado sem motivo aparente. O que é que se passa? A razão tenta soerguer o corpo morto mas sem qualquer consequência, os cinco sentidos parecem adormecidos, choram por algo diferente a que se possam associar, do que aquilo que experimentam neste preciso momento. A culpa tanto pode ser do ar carregado que preenche o quarto hoje, das duas garrafas de &lt;i style=""&gt;Freixenet&lt;/i&gt; consumidas de rajada no estranho fim de tarde de ontem, do tempo pouco convidativo que a janela negligentemente deixada aberta durante toda a madrugada apresenta ou dos tentadores cobertores que tudo escondem. A culpa pode ser minha ou até de ninguém. As mãos tentam agarrar algo tangível nos nervos que se começam a aglomerar por todo o corpo. Aqui vamos nós outra vez. Os nós presentes em todo o corpo renascem para o novo dia, as feridas que a noite poderia curar, não curou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Tenho de me levantar, encarar tudo de outra maneira, apesar de tudo ser exactamente igual ao que sempre foi. E se não quiser mudar? Não quero. Tenho de mudar, digo de novo. Como se isso fosse fácil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116282023597218746?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116282023597218746/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116282023597218746&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116282023597218746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116282023597218746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/despertar.html' title='despertar'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116268522652555289</id><published>2006-11-04T18:33:00.000Z</published><updated>2006-11-06T13:39:51.120Z</updated><title type='text'>saudades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já não me acontecia há um tempo considerável. Parece ter voltado uns quantos anos no tempo e ter-me tornado bastante mais sensível a inúmeras coisas que já nada me diziam. Ele é o lugar por onde passo que me provoca um não sei quê atrás da orelha, a música que num instante invade o meu quarto e que me faz lembrar o lugar onde estive há cinco, seis ou sete anos, criando uma vontade imensa de o voltar a ver ou o cheiro e sabor que experimento e que me fazem pensar na última vez que os senti.&lt;br /&gt;O estranho não é, no entanto, sentir saudades, mas sim não conseguir compreender se me sinto bem ou não por tê-las comigo. Quando alguém odeia outra pessoa sabe bem que não gosta do sentimento, que lhe causa raiva, mal-estar, tudo o que lhe apetece é fechar os olhos e fazer com que todo o negativismo desapareça; do mesmo modo, quando amamos sabemos que queremos experimentar aquele estado para sempre, completamente desligados do resto do mundo que de um momento para o outro se vê transformado numa só pessoa. Ora, com as saudades, o mesmo não se pode nunca vir a passar. Consigo entender de uma forma bastante simples que tenho saudades, sinto o aperto entre os lábios e as vísceras mas não consigo rotular a sensação como boa ou má.&lt;br /&gt;Hoje, enquanto conduzia, senti aquela nostalgia que toda gente sente quando passa por um sítio que muito nos diz. Raios, devo sorrir? Devo pensar em tantas boas memórias que aquele lugar me traz e que poderá ainda vir a trazer? Será correcto basear-me apenas nisso? Ou deverei ficar completamente de rastos por tudo o que passou já ir bem longe e por hoje, neste preciso momento, não poder sentir o mesmo?&lt;br /&gt;Confesso que gosto do modo como de um momento para o outro se cria uma enorme abstracção de tudo o que nos envolve, as pessoas desaparecem, o ruído dissolve-se e o coração quase para, deixando todos os nossos movimentos quase imperceptíveis; o mundo para de girar e, como uma névoa, aparece na nossa cabeça a memória do tempo que saudamos - com uma ou duas coisas que melhoramos, uma vez que o sonho é nosso e nele podemos tornar a perfeição ainda mais perfeita, mesmo que na altura ela se tenha mostrado o verdadeiro terror; é um sonho, tem de ser perfeito. Então, a pouca saliva que tínhamos na boca desaparece, toda ela é agora um rio de lágrimas junto ao bordo dos olhos. Não choramos, mas sentimos que se aquilo que estamos a recordar se tornasse realidade num segundo, levaria bem menos tempo a todas as lágrimas escorrer pelas nossas faces.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;p&gt;Estarei feliz ou numa lástima? Sentimento confuso, este.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116268522652555289?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116268522652555289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116268522652555289&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116268522652555289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116268522652555289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/saudades.html' title='saudades'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116265058432733635</id><published>2006-11-03T14:18:00.000Z</published><updated>2006-11-06T13:38:39.803Z</updated><title type='text'>o parque</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;p&gt;E porque ficar em casa não é vida, - mas sim um dos muitos hábitos breves, com a distinção deste se tornar mais breve que os restantes por minha indicação -  saio de casa para  expulsar tudo o que possa estar contido cá dentro com uma corrida pelo parque. Diga o que se disser, nada é melhor do que uma corrida ao final da tarde pelo único sítio desta cidade onde a urbe ainda não se aventurou, preenchido por aquele perfume que todas as árvores do parque da cidade libertam. Ao mesmo tempo, é bom ver tanta gente a partilhar esta satisfação, passeando com o marido depois de um dia de trabalho mais cansativo que o normal, namorando com a sua mais que tudo, um ano e meio depois daquele primeiro beijo, treinando com o seu amigo a quem a mãe morreu faz hoje sete semanas ou divagando sozinho por entre aquele bosque que mais parece ter caído de um sonho antigo. Invariavelmente, acompanhada ou não, cada pessoa se vai isolar por uns segundos admirando tudo aquilo que a natureza nos oferece ali e todo o bem estar interior que ela cria em nós.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por muito incógnito que possa ser o amanhã, sei que mesmo estando nos meus piores dias, o parque estará ali, pronto para trazer o  meu bom humor de volta com duas corridas ou três.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116265058432733635?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116265058432733635/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116265058432733635&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116265058432733635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116265058432733635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/o-parque.html' title='o parque'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36969303.post-116248732305271109</id><published>2006-11-02T16:52:00.000Z</published><updated>2006-11-06T13:38:56.866Z</updated><title type='text'>quatro paredes e uma porta</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Do meu lado esquerdo tenho todos os livros que possuo, boa companhia se têm mostrado, levando-me a viver vidas que tanto tenho como dos intervenientes da história e do seu autor, como minhas. À minha frente está uma chávena de chá, - de facto, está uma chávena, porque o chá já há muito desapareceu -  o estático portátil onde escrevo estas linhas e uma qualquer música dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Elysian Fields&lt;/span&gt; a acompanhar. É estranho o tempo que ainda consigo perder em frente a este computador, sempre a fazer qualquer coisa supostamente produtiva mas que em nada me agrada. Do lado direito, a parte melhor do meu quarto. Digam que o meu agrado devia ficar do lado esquerdo, não interessa, neste caso está do lado direito. Uma brancura imensa ocupa todo o céu, o que está por baixo não interessa, é como um grande borrão - tal como são quase todas as cidades deste país - criado por uma falta total de planeamento. Como digo, não interessa. O esplendor, esse prende-se com o que está lá em cima, com a liberdade e plenitude que todo este céu de Novembro transmite. Atrás de mim tenho uma parede recheada de boas recordações, como portais de um qualquer livro de ficção por onde posso recuar no tempo. Ao lado da ficção, a realidade: a porta que chama “sai deste quarto” onde passo a maior parte da minha vida, quer queira quer não, e que me leva a experimentar tudo o que me faz realmente feliz.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No entanto, hoje não lhe dou ouvidos. Hoje, o meu dia quer-se aqui, entre as quatro paredes e sem passar por aquela porta. Há dias assim.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36969303-116248732305271109?l=habitos-breves.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://habitos-breves.blogspot.com/feeds/116248732305271109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36969303&amp;postID=116248732305271109&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116248732305271109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36969303/posts/default/116248732305271109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://habitos-breves.blogspot.com/2006/11/quatro-paredes-e-uma-porta.html' title='quatro paredes e uma porta'/><author><name>Pedro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05058414161111622546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://junifeup.pt/~jppinto/blog/my-images/lindorfo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
